O caso Xavi ou Quando passar a bola para o lado virou arte

(Esse é o segundo texto de uma série de artigos que escreverei sobre o Barcelona da atualidade. O primeiro pode ser lido aqui.)

Xavi e seu passe para o lado

Xavi Hernández é um caso curioso. Titular do Barça há aproximadamente dez anos, passou boa parte da carreira sendo visto como um jogador útil, porém sem maiores destaques. No Barcelona de Ronaldinho Gaúcho, quando se encontrava no auge de sua forma física (nascido em 1980, contava já com 26 anos quando os dois conquistaram a Champions), não passava de um coadjuvante de luxo – e mesmo assim de um luxo substancialmente menor que o de Eto’o, Deco e alguns diriam até que do limitadíssimo Giuly, ou de quem quer que se encontrasse em seu lugar. Hoje, no Barcelona de Lionel Messi, o catalão é indubitavelmente a segunda peça mais importante do elenco. O argentino pode ser o craque, o gênio, o homem que coloca a bola dentro do gol, mas é Xavi quem traduz, em seus toques curtos e precisos, o que é o time atual. Como Ruy Gardnier escreveu, seus pés, mais do que armas letais, mais do que atributos corpóreos, simbolizam acima de tudo uma filosofia.

Mas como explicar essa transformação súbita, de formiga a cigarra, de Iranildo a Zidane, de reles mortal a lenda dos campos, de carregador de piano a maestro? Talvez dizendo inicialmente que não houve transformação. Ou pelo menos que esta não partiu do próprio Xavi, que permaneceu fazendo o mesmo trabalho de formiga de sempre, levando sem reclamar as folhas para o seu reino, até ver a rainha morrer e decidirem colocá-lo em seu lugar.

Michael Cox, em seu ótimo e recomendadíssimo blog Zonal Marking, escreveu num texto bastante esclarecedor que, em certo momento da década passada, a função do médio-centro passador, representada pelo hoje técnico do Barcelona Pep Guardiola, foi substituída em favor de um futebol de pegada, no qual Davids surge como grande exemplo, matando os ataques no círculo central e abrindo espaço para os meias de ligação trabalharem com liberdade. Numa época em que se acreditava que a melhor forma de deslocar o corpo era através da pancada, Guardiola foi aposentado cedo, antes do que deveria e poderia. E com calma, aguardou o seu novo momento.

Este veio naturalmente com Xavi Hernández, sua cria, seu pupilo, o jovem que surgiu vendo seus passes e movimentações precisas sendo constantemente negados e ridicularizados e enfim extintos, o jovem que cresceu e, talvez por vingança talvez por teimosia, tornou-se uma versão tão irretocável do médio-centro passador que acabou por extinguir não só o meia de força como também o meia de ligação, unindo suas qualidades sem nenhuma dose de risco, fazendo-os obsoletos perto do que ele poderia oferecer. Em vez do bote para recuperar a bola, simplesmente não perdê-la; em vez do contato entre os corpos para reavê-la quando enfim perdida, a antecipação no espaço vazio; em vez do risco dos passes verticais, o domínio absoluto dos horizontais; em vez de olhar para frente ou para trás, olhar acima de tudo para o lado.

Surgiu aí, após o reinado de Ronaldinho Gaúcho, após o reinado dos Davids e Gravesens, uma nova mentalidade. A mentalidade de Xavi e Guardiola, a mentalidade do Barcelona e da seleção espanhola campeã do mundo. De quem pretende fazer, se possível, um time composto de um goleiro e dez médio-centro passadores. Dez Xavis piorados. Ou seriam dez Guardiolas?

Que esse futebol é eficiente, não restam dúvidas. Os inúmeros títulos do Barcelona podem até ser relativizados pela presença do melhor jogador do mundo (obviamente aqui não falo mais de Xavi), mas o primeiro título mundial da Espanha, somado à conquista da Eurocopa e a anos de invencibilidade, não. Só que isso fazer de Xavi um craque já é outra questão, e aí os patamares mudam de figura.

Os méritos de seu jogo são claros, evidentes. Xavi comanda um time como poucos, mantendo a posse de bola, encontrando sempre o jogador desmarcado, acertando a movimentação de ataque e de defesa. Movimenta-se sem parar, mas nunca se cansa. Toca na pelota centenas de vezes por jogo, praticamente em todas as jogadas, e acerta a marca absurda de noventa e cinco por cento dos passes – acima de qualquer jogador de renome em qualquer posição. Seus times não perdem a posse de bola, e por isso não são atacados. Seus times não perdem a posse de bola, e por isso são uma ameaça constante ao adversário. Xavi é uma máquina, e se isso por um lado é seu maior mérito, também é aquilo que o separa dos gigantes.

Se para os gigantes, todos, o futebol em alguma instância se aproxima de uma forma de arte, para Xavi o velho esporte bretão é primo da ciência da computação, de uma equação matemática, de uma lista de afazeres. O estilo do espanhol distancia-se do impreciso, do arriscado, do falho – e assim distancia-se catedraticamente também do humano. Não há drama, tragédia, superação, não há dias ruins ou bons, não há inspiração nem erro, não há dribles nem arrancadas – há a certeza do passe para o lado, sempre.

Voltemos à comparação com os meias. Nada mais distante do futebol de Xavi que, por exemplo, o de nosso último grande dez clássico: Zinedine Zidane. Em Zidane, o passe tinha sempre a intenção direta do gol, a verticalidade direta do gol, o objetivo de atravessar os obstáculos e superar os desafios à frente, sempre à frente, zagueiros, goleiros, distâncias, linhas retas e curvas, na direção natural do gol. Em certas partidas, vê-lo era quase patético; ali estava um homem prostrado, sem tocar na bola, errando tudo do início ao fim. Mas vê-lo acertar um passe, um que fosse, um que decidisse a partida, valia o ingresso: era presenciar o novo, o inexplicável, o mágico. E o humano.

Xavi não tenta o gol. O gol, para ele, é questão de tempo. O gol é para os outros. E se o gol parece não sair, como nos jogos da seleção espanhola, como nos jogos sem Messi, ele simplesmente aguarda, mantendo seu jogo, alheio a tudo que não seja o programado, o acertado, o correto, o previsível. Xavi só dá a assistência como a última possibilidade. Xavi só procura o centroavante à contragosto. O toque para o lado lhe agrada muito mais. Não que seja uma questão de técnica; ele já mostrou, em diversos jogos, que sabe dar um passe direto, encontrar o atacante livre, passar a bola por entre os zagueiros. É sobretudo uma questão de gosto. Xavi não tem o lançamento de um Pirlo, não tem o cruzamento de um Beckham, não tem a genialidade de um Zidane; diabos, ele não tem sequer a inversão de um Roberto Carlos. O que Xavi tem é seu passe para o lado, que resolveu transformar em sua marca pessoal. Os Renatos Abreus da vida agradecem.

E talvez aqui seja também uma questão de gosto, uma incompatibilidade de estilos, um saudosismo ingênuo e ridículo, mas cá com meus botões continuo a acreditar que quem nasceu para Zinho, por melhor que seja, nunca chega a Romário.

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11 respostas em “O caso Xavi ou Quando passar a bola para o lado virou arte

  1. Gostei muito do texto. Principalmente a parte que deixa claro que o Xavi NÃO é craque. Sem magia nenhuma o futebol dele. Apesar de ser um ótimo jogador.

  2. “Se para os gigantes, todos, o futebol em alguma instância se aproxima de uma forma de arte, para Xavi o velho esporte bretão é primo da ciência da computação, de uma equação matemática, de uma lista de afazeres.”

    Leo, esta deve ser uma das piores frases que você já escreveu. Não vê arte no futebol do Xavi quem não quer ver.

    A verdade é que o Xavi é o meio-campo armador (mesmo jogando de volante, ele é sobretudo um armador) ideal do futebol moderno. O futebol moderno é truncado, corrido, e não se tem espaço em campo (pois mais correria não gera mais espaço). Ou se joga no contra-ataque de arrancadas (Kaka), ou se coloca um grandalhão trombador (Adriano). Nos dois casos, trata-se ou de ganhar por excesso de velocidade, ou por excesso de tamanho.

    Pois bem, o Xavi representa uma alternativa a isto tudo – ganha-se no toque e bola e na movimentação. Ele é resultado de uma escola do Barcelona que tem mais de 20 anos e opera a partir de um princípio básico do futebol: Quando não se tem espaço em campo, é preciso criá-lo. Para criá-lo, é preciso rodar a bola e rodar o time (dar opção ao companheiro que tem a bola). O futebol do Xavi não é horizontal, é circular. E sim, SEMPRE em direção ao gol.

    Para isto, basta ficar atento para um coisa simples. Quando o Xavi pega a bola com um mínimo de liberdade no meio campo, para onde ele levanta a cabeça e olha? Preste atenção e verá que é sempre para frente.

    Também reinventou a marcação. Não se vai para o confronto, tampouco se cerca e espera a atitude do adversário. Ele fecha os espaços para que o adversário seja forçado a errar o passe. Daí, adianta-se. Mas a essência da coisa é fechar os espaços do adversário em seu próprio campo. A posse de bola do Barcelona é superestimada, pois é uma consequência, e não um princípio – consequência de ter levado o jogo circular e a marcação por fechamento a seu ápice.

    A genialidade do Xavi é MUITO mais inovadora do que a genialidade do Messi, pois este é um modelo de perfeição de um futebol que já existia com o Ronaldinho Gaúcho e até antes dele. O Xavi simplesmente reinventou o futebol moderno, e não há no mundo sequer um jogador que nem ele. É impossível se falar de um Xavi piorado, pois não há nada correlativo (Renato Abreu não roda em campo e nem faz a bola rodar, ta viajando sério). É possível se falar de um Messi piorado. Por sinal, é o que mais se tem por aí desde o Ronaldinho Gaúcho.

    Meu ponto é: o Xavi reinventou o futebol. Ele não o fez sozinho. O fez em conjunto com o Guardiola, cujo projeto é um desdobramento do projeto de futebol do Rikjaard. Nos anos do Rikjaard, o Xavi tinha uma função muito diferente da que tem hoje em dia simplesmente por que o estilo de jogo do time era outro. Ele jogava mais recuado. Hoje ele joga avançado como um armador durante o primeiro tempo, destrói o jogo, e depois recua para administrá-lo, deixando soltos Messi, Dani Alves, Fabregas e Sanches/Tiago. Não é a toa que num time que tem o melhor jogador do mundo, seja ele que seja o comandante. O maestro.

    O problema do pensamentos sobre futebol no Brasil está claramente em textos como o teu, que ainda querem entender o Messi quando, para se compreender a verdadeira renovação que o Barça está impondo no mundo, é preciso se voltar os olhos para entender como joga o Xavi.

    E para finalizar, poderia citar inúmeros lances, mas vou ficar somente com a matada de bola no primeiro gol contra o Santos: aquilo é coisa de gênio, de craque. Simplesmente não tem como se dizer que aquilo não é arte…

    • Pedro,
      concordo com sua análise do Xavi, (ainda que ache que o Levis também levantou uns pontos importantes), apesar de discordar radicalmente da reverência e do tom elogioso.

      Acho até que foi sintomática a sua escolha de exemplo da genialidade e da arte do futebol do Xavi: você cita um lance de imprevisibilidade, em que o Xavi descobre um movimento de perna para dominar a bola. Mas isso, me parece, está longe de ser o essencial de seu jogo, que se alinha mesmo com o que você disse: buscar espaços através do passe, fazer a bola girar.
      Esse domínio de bola imprevisível, esse encontro do movimento inesperado e aparentemente impossível, eles têm mais a ver com o que fazem o Messi, o Gaúcho. São momentos isolados de, sim, arte, mas que independem desse fator de “reinvenção” do futebol que você identifica no Xavi.

      Ninguém é louco de negar que ele é um jogador talentoso, de habilidade. Mas você mesmo reconhece que a grande virtude dele é fazer a aplicação perfeita de um esquema, de um projeto (o que você chamou de “jogo circular” e “marcação por fechamento”). E, nesse sentido, a frase do Levis que você criticou na verdade corrobora o que você diz: “para Xavi o velho esporte bretão é primo da ciência da computação, de uma equação matemática, de uma lista de afazeres”.

      Que talvez ele (e por consequência o Barça, do qual ele nada mais é que uma espécie de metonímia) esteja “reinventando” o futebol, pode até ser. Mas, se é esse o caso, eles tão transformando o futebol numa coisa muito mais chata e rasa do que sempre foi. Se eu acho que o pessoal que reverencia o Barcelona e lhe atribui o papel de time salvador do futebol está se empolgando demais, vocês vão me achar apocalíptico quando digo que Pep Guardiola e cia. estão matando o futebol.

      (Não entendo o Levis, que lista todas as razões para se considerar o Barcelona, no mínimo, chatíssimo, mas que no fim das contas parece cair nessa mesma reverência aos catalães).
      Pode parecer uma preocupação abstrata advinda de uma visão altamente romantizada do futebol, mas quando o Levis fala DISSO sobre o Xavi (“O estilo do espanhol distancia-se do impreciso, do arriscado, do falho – e assim distancia-se catedraticamente também do humano. Não há drama, tragédia, superação, não há dias ruins ou bons, não há inspiração nem erro, não há dribles nem arrancadas – há a certeza do passe para o lado, sempre.”) e DISSO sobre o Zidane (“Mas vê-lo acertar um passe, um que fosse, um que decidisse a partida, valia o ingresso: era presenciar o novo, o inexplicável, o mágico. E o humano.”), ele, talvez inadvertidamente, toca no ponto CRUCIAL da questão.
      Poder escapar a análises táticas e a esquemas de jogo, poder transcender a supremacia de times bem montados, é tudo isso justamente que faz do futebol, pra mim, o esporte mais emocionante e impactante do mundo.
      E o Barcelona está matando isso, porque opera a partir de um esquema totalitário, quase. Como disse o Wisnik, “joga e não deixa jogar”. E o que é isso se não remover o essencial do futebol, do esporte?

      Ok, sei que soa imbecil de minha parte querer criticar um time que encontrou a “fórmula mágica” a partir da qual se torna imbatível. Mas minha crítica se dirige mais a quem enxerga isso como algo positivo pro futebol.

      “O problema do pensamentos sobre futebol no Brasil está claramente em textos como o teu, que ainda querem entender o Messi quando, para se compreender a verdadeira renovação que o Barça está impondo no mundo, é preciso se voltar os olhos para entender como joga o Xavi”.
      Talvez seja isso mesmo. Mas entender o Xavi, explicar o Xavi é fácil, você mesmo o fez em poucos parágrafos. Essa supremacia tática do Barcelona já foi mais ou menos compreendida, mesmo que talvez se necessite aprofundar um pouco essa compreensão. É uma análise tática interessante, e necessária. Mas está longe de ser o ponto central da questão.
      Porque, ainda bem, existe o Messi.
      “A genialidade do Xavi é MUITO mais inovadora do que a genialidade do Messi, pois este é um modelo de perfeição de um futebol que já existia com o Ronaldinho Gaúcho e até antes dele”.
      Talvez seja, mas inovação está longe de ser palavra-chave aqui (desculpe o trocadilho). Não importa se mais inovador – o Xavi, como disse o Levis, ainda é uma espécie de operário. Elevado ao paroxismo, mas ainda operário. Sua genialidade é mais intelectual que visceral, é compreensível, é mundana. Se há algo de extraterrestre no time catalão, não é seu esquema altamente científico, mas sim o Messi.
      Ele não pode ser entendido, daí a beleza dos textos que tentam mas não conseguem fazê-lo. Não se pode destrinchar o talento, não se pode mapear nem tentar diagnosticar o que faz dele tão genial, há um elemento mágico transcendente que foge à esfera da compreensão.
      O Messi é o sopro de vida que redime o Barcelona.

  3. Pingback: O estranho caso do Barcelona | contra-ataque – revista de futebol

  4. Bem, aproveitando o Carnaval para responder os comentários, dou aqui minhas poucas palavra (porque, afinal, já escrevi dois textos sobre o assunto):

    1) O blog foi feito para esse tipo de comentário. Por favor, continuem com eles.

    2) Eu já reparei que, em se tratando de Xavi, mais ainda do que de Barcelona, os argumentos são na maior parte das vezes parecidos tanto a favor, como contra. Gabriel, você fez uma síntese muito boa dos dois textos aí, e percebeu que o meu e o do Pedro não eram assim tão diferentes (nem o seu, a síntese, por sinal). Termos como “fidelidade ao padrão tático”, “movimentação circular”, “mecanização do futebol” podem pulular aqui e acolá, sem diferenciação. A grande questão é que o time do Barcelona hoje (e não me lembro de outro desde que nasci, ou pelo menos outro que não jogasse na retranca) faz a gente repensar o que é o futebol, por que gostamos de futebol, para onde vai o futebol (tema do meu primeiro texto). E aí sim temos três respostas, três posturas, três modos de olhar o mundo. O Pedro vê um futebol vistoso, técnico, novo; você vê a vitória do futebol mecanizado, destituído de magia; e eu, no fundo, vejo as duas coisas (daí a citada esquizofrenia dos textos). Não consigo deixar de me encantar com esse totalitarismo da bola, que não apela para violência, brucutus, zagueiros, cuja “força”, afinal, é a “técnica”, ao mesmo tempo em que sei que tudo que gosto no futebol-arte seria suprimido pelo time, não houvesse o Messi – o Barça, afinal, não inventou outra forma de retranca, só que no campo de ataque?

    3) Uma boa forma de se entender o Xavi – e, consequentemente, o Barça – é, paradoxalmente, sair do time, e ir para a seleção espanhola. Oras, o que é a seleção espanhola – em termos de padrões táticos, jogadores-chave ou mesmo conquistas – do que um Barcelona sem o Messi (e, assim, um Barça inteiramente do Xavi)? Um time eficiente, altamente vitorioso, com um jogo muito parecido, mas que não tem a menor intenção de marcar gols. O gol, para a seleção espanhola, é um mero detalhes. É só ver as estatísticas: foi a seleção campeã do mundo com menos gols feitos e menos gols sofridos. Todos os jogos eram 1 a 0. E todos pareciam satisfeitos com isso, como se o futebol por si só fosse ofensivo simplesmente porque sua marcação, o Pedro está certo, estava no campo de ataque. A seleção espanhola campeã do mundo me parece a chave para esse futebol – e para o futebol do Xavi.

    4) É óbvio que acho o Xavi um ótimo jogador. É óbvio que a comparação com o Renato Abreu foi mais um argumento literário que propriamente uma verdade (quem me dera o espanhol estivesse no Flamengo no lugar dele). Mas a discussão, e o Gabriel bem reparou nisso, e aqui nunca foi inadvertidamente, não é sobre o Xavi em si, mas sobre o que significa o estilo de jogo que ele domina e representa tão bem estarem hoje substituindo o papel do armador à la Zidane, e assim construindo a imagem do craque de bola no século XXI. E o que tento fazer é ver além dos resultados.

    abs,
    Leo

  5. Xavi pra mim é padrão Manoel de Oliveira. Até pode dar passes pro lado, mas é que o time dele fica com a posse de bola o jogo inteiro. Não tem como jogar verticalmente o tempo todo quando se tem a posse da bola o tempo todo, o time morreria em 10 minutos. Mas é só ter um espaço mínimo e alguém se movimentando que a bola e o jogador chegam na cara do gol.

    Acho que a diferença entre o Xavi e o craque clássico é que pra ver a beleza do futebol dele, tem que ver o jogo inteiro. O Zidade era capaz de ficar 80% do jogo nota 5 e o restante nota 10. Já o Xavi fica o jogo inteiro nota 8. Pra quem gosta de ver melhores momentos, o Zidane é mais interessante. Pra quem gosta de ver o jogo inteiro, o futebol do Xavi é coisa de outro mundo. Não lembro de outro meia que toma conta do jogo como ele toma.

    Agora, eu acho que o monstro do Barcelona é o Busquets. É o único volante que desarma e ao mesmo tempo passa a bola, tudo num toque só. Fez isso com o Neymar, algumas vezes no Mundial, como se ele fosse o Alecsandro.

  6. Carnaval é sempre um péssimo momento para se replicar num blog, mas vou tirar um instante (estando meio bêbado) por que to gostando do debate.

    Acho que gostar ou não do estilo de jogo é questão de opinião, caros. Tem gente que gosta dos que jogam pra cima do adversário, sejam os que driblam ou os que tentam 10 passes em profundidade pra acertar um. Eu gosto de armadores e volantes mais técnicos mesmo. Acho que o coração do jogo está ali, e pra mim ver uma virada de jogo em três dedos é muito mais interessante de ver do que gols ou dribles. Para mim, acho não só mais importante quanto mais bonito mesmo. Dizer que o que nos encanta é o drible ou a jogada inesperada para mim não diz muito. Acho uma visão exagerada. Ser decisivo, sinceramente, qualquer jogador em condições pode ser. Então acho bonito mesmo jogadores extremamente técnicos e, sobretudo, que jogam simples. Futebol virou um esporte muito histriônico, todo mundo quer aparecer (eita erazinha maneirista). Os atacantes pegam a bola e TEM que tentar passes entre três jogadores ou virar fantasma e passar no meio dos três. É raro ver jogadores que realmente tem classe e que fazem o feijão com arroz. E a torcida também parece não querer mais muito ver este tipo de coisa. Passe simples e óbvio ninguém quer ver, e na maioria dos casos não percebem o esforço enorme de posicionamento, deslocamento correto e compreensão das jogadas para se estar no lugar certo, na hora certa. E um passe de lado, simples como o do Pele na copa de 70, é uma arte tão grande (na minha opinião maior) quanto os passes milimétricos do ronaldinho. Para falar do Zidane, já que citaram – fala-se muito que ele se oculta do jogo 80% e é decisivo nos outros 20%. Discordo disto. o que mais admirava nele era ver como ele se portava em campo sem ter as bolas nos pés. Abria espaço para todos os companheiros. Mas enfim, acho que é tudo uma questão de gosto mesmo. E dizer que o Xavi é o enxadrista e o messi o genio que faz o inesperado (é mesmo inesperado o que o messi faz?) uma dualidade meio estranha que para mim não faz real sentido. Também não acho que a matada do Xavi seja uma exceção no futebol dele.

    O estilo de meio campo não está mudando por causa do Xavi/Barcelona – tanto é que não há nenhum outro sequer semelhante tanto ao jogador quanto ao time. O que o Barcelona “impôs” ao mundo foi que as escolinhas de base agora não poderam somente pegar jogadores grandões e velocistas, vão ter de voltar a ensinar O BASICO – tocar a bola, invertê-la, se posicionar em campo, marcação, receber um lançamento. É o básico do futebol que (principalmente no Brasil, e por isto estamos para trás) está cada vez mais raro de se ver. Falo que temos de observar o Xavi (e com isto, eu diria que a seleção da Espanha como um todo) para notar esta necessidade básica de saber O BASICO para poder se formar bons jogadores que joguem simples e acabar com este histrionismo bizarro que nos assombra e está afundando o nosso futebol.

    Eu discordaria do teu argumento sobre a seleção da Espanha, Leo. Acho que o problema que voce ta falando não diz respeito somente ao Messi, mas também ao Dani Alves, entre outros. A verdade é que a Espanha anda pecando na formação de bons atacantes, e jogadores velozes que finalizem bem – o Villa mesmo, na minha opinão, não é tão craque quanto se pinta por aí, e é claramente o melhor que eles tem. Não acho que tenha a ver propriamente com o estilo de jogo do barça, mas na realidade, com uma deficiência que ainda existe na Espanha, que é a maior escola de futebol do mundo hoje em dia.

    Não acho uma retranca no ataque. Acho que eles realmente atacam, marcam a saída de bola do adversário, fazendo com que eles tenham de acertar os passes para sair jogando. A maioria dos times não consegue acertar os passes para sair jogando. Eles reganham a posse de bola consequentemente. Aí, fazem uma coisa que o Brasil sempre fez muito por décadas e décadas – fica rondando a área procurando espaço. Quando acha o espaço, faz o gol. Mas tão sempre atacando, e se fizeram poucos gols na copa foi por incompetência do villa e do torres mesmo, que tavam se posicionando e finalizando mal bagarai…

    foi mal a desorganização. to meio bêbado ainda.

  7. Senhores, li com atenção as análises que fizeram a respeito do futebol de X. Hernandez, tentarei resumir em um conjunto de palavras o que é ver este jogador atuar. Ver X. Hernandez atuar é ficar em dúvida se o futuro realmente é incerto. Ele sabe onde tocar, porque tocar, porque não tocar, porque driblar, ele pode não ser o mais talentoso dos maestros, porem tenho quase certeza que nunca vi um jogador tão inteligente jogar, acho que é unanimidade entre todos que postaram comentários que o Hernandez não arrisca, na dúvida toca pro “lado”, em teoria só faz o correto para manter a posse de bola. Alguém aqui pode me explicar como raios ele começa uma jogada no meio campo, troca passes com iniesta e termina dentro do gol do Arsenal naquele jogo da champions league? ele planejou a jogada? Se planejou, temos que pensar o que é mais ‘bonito na visão de um boleiro” um improviso que tinha 5% de chances de acabar em gol e foi gol, ou uma jogada que era 80% de chance de ser gol, foi executada e foi gol.

    Duas frases para tentar mostrar meu ponto de vista:

    ” O talento tem o poder de transformar a jogada errada, na certa (Zidane)”.

    “A inteligencia e velocidade de raciocino garante o obvio, engraçado será que ninguém nunca viu? A jogada certa nunca será a jogada errada.(Xavi Hernandez).

    Desculpem o português sou desenvolver de software, prefiro matemática, não vou reler para arrumar rs.

    Muito boa todas as análises.

  8. Xavi é um jogador único, um jogador que adotou uma filisofia, um estilo único da sua geração, fez com que uma espanha fracassada torna-se uma máquina de ganhar e de tirar o sono dos advesários, foi um dos líderes do barcelona de Guardiola, driblou, fez gol, deu passes para o gol, marcou e por fim junto com Messi e Iniesta tornou o barcelona no maior time dos ultimos 30 anos. Não aceitar ele ser melhor do que Zidane ou Ronaldinho Gaúcho respeito a opinião, também acho que não,agora não achar um gênio, um craque, um jogador acima da média ja é demais, duvido que existe alguem nos próximos 20 anos com suas caractesristicas.

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