Copa Africana de Nações

Guiné Equatorial elimina Senegal

Essa semana, dia 21 de janeiro, começou a Copa Africana de Nações. Apesar do grande crescimento do futebol africano e da evolução de seus jogadores, o campeonato continua muito distante do que conhecemos, do que podemos ver de futebol por aqui. Esse talvez seja o motivo principal de meu interesse pela competição.

Quando esse interesse por acompanhar as seleções africanas começou, ele vinha pelo futebol apresentado por elas. Tinha aquela coisa um pouco descompromissada, inconsequente. Eram times formados por jogadores com pouquíssima experiência internacional, mas muito velozes e alguns com bastante habilidade pro drible. Porém, a falta de consistência tática e a fragilidade de alguns fundamentos básicos e da defesa eram, também, evidentes.

Bom, é claro que vários jogadores africanos começaram a ser contratados por equipes europeias e, consequentemente, tornaram-se jogadores mais caros, mais pragmáticos, com mais consciência tática; tornaram-se, digamos, mais profissionais. No que isso tem de bom e de ruim. Com o sucesso desses jogadores, passou-se a esperar mais dessas seleções; elas não eram mais Camarões de 1990, uma total surpresa. Esse caminho de conquista de espaço e admiração continuou a ser construído em 1994, quando a Nigéria, apresentando um belíssimo futebol, de rara rapidez e habilidade, estreou com uma grande vitória sobre o bom time da Bulgária, liderado por Stoichkov e que terminaria em quarto lugar naquela Copa. Em seguida, uma derrota apertada para a Argentina e uma nova convincente vitória sobre a Grécia, o que rendeu o primeiro lugar de um grupo complicado para a seleção nigeriana. O time caiu nas oitavas, mas para a poderosa Itália, que seria vice-campeã, e apenas na prorrogação. Em 1998, as equipes africanas foram mal, exceção feita novamente à Nigéria, que se classificou em primeiro num grupo com Paraguai, Espanha e Bulgária. Porém, nas oitavas foi goleada pela Dinamarca, 4 a 1. Em 2002, foi a vez da seleção de Senegal reafirmar a esperança do bom e descompromissado futebol africano. O time abriu a Copa vencendo a atual campeão França e se classificou num grupo que ainda tinha Uruguai e Dinamarca. Nas oitavas, venceu a Suécia na prorrogação, jogando um excelente futebol. Nas quartas não conseguiu encaixar seu jogo e perdeu para a Turquia, na prorrogação. Em 2006 foi a vez de Gana, que se classificou para as oitavas impressionando pelo bom e ofensivo futebol, principalmente na exuberante vitória por 2 a 0 sobre a República Tcheca; a equipe africana criava uma série inacreditável de chances de gol, mas ainda pecava muito nas finalizações; o velho problema dos fundamentos básicos dava as caras. Na primeira fase eliminatória, confronto com a seleção brasileira e a fragilidade do meio pra trás ficou evidente, 3 a 0 para o time de Parreira. Essas equipes saíram de suas respectivas Copas com imenso destaque e a visão unânime de que tinham ido até onde podiam. Quebrada a barreira, provado que ali também existe bom futebol, as equipes passaram a, naturalmente, querer mais. E mais, numa competição, é ir mais longe e não jogar o futebol mais bonito.

Nesse ponto voltamos a “profissionalização”, ou pragmatização, do futebol africano que falei no início. Todas as seleções daquele continente passaram a assumir uma postura mais competitiva, uma forma de jogar que priorizasse o bom resultado mais do que mostrar a habilidade de seus jogadores. Exemplo maior disso é a seleção de Gana da Copa de 2010; depois da exuberância ofensiva, mas aparentemente incapaz de enfrentar grandes adversários, de 2006, vem um time absolutamente obediente em campo, bem colocado, sem rifar bolas, sem tentar lances muito arriscados. E não acho que isso seja necessariamente ruim, é um processo que está ocorrendo e que é compreensível. Os jogadores e técnicos não querem mais se contentar em serem apenas gratas surpresas, querem competir e serem vistos como ameaças num confronto com uma grande potência mundial. Esse processo acabou por criar algo interessante, talvez curioso: um extremo equilíbrio entre as seleções do continente. Vendo os jogos desse início de Copa das Nações, o que mais chama a atenção é a dificuldade que qualquer equipe tem de dominar seu adversário. As seleções estão muito bem postadas em campo, sabendo suas limitações e evitando correr riscos desnecessários. Prova factual desse equilíbrio é o fato de seleções tradicionais como Nigéria, Camarões, África do Sul, Togo e a atual tricampeã Egito (que, pra mim, vinha apresentando, nos últimos anos, o futebol mais bacana de se assistir) terem ficado de fora da competição.

Gana, Senegal e, principalmente, Costa do Marfim entram como grandes favoritos ao título. As três possuem jogadores de destaque na Europa e, no papel, são bem superiores a seus adversários. A Costa do Marfim começou cumprindo seu papel, sem muito brilho, vencendo o Sudão por 1 a 0 e Burkina Faso por 2 a 0. Gana estreou vencendo Botswana por 1 a 0 num jogo bastante apertado. Mas a grande decepção foi Senegal; esperava-se muito do ataque comandado por Moussa Sow e Demba Ba, porém a seleção, depois de dois jogos, já está eliminada. Foram duas derrotas por 2 a 1; a primeira para Zâmbia e a segunda para Guiné Equatorial. Essa última, uma das anfitriãs da Copa, é a grande, e grata, surpresa do campeonato. A equipe, considerada fraca e carta fora do baralho, mostrou um bom futebol na estreia, vencendo a Líbia com um bom toque de bola e jogo seguro. A vitória contras os favoritos senegaleses reafirma a boa impressão.

Outros destaques e equipes a se prestar atenção: Guiné passou invicta pelas eliminatória, 4 vitórias e 2 empates, deixando para trás a Nigéria. Na estreia na Copa, perdeu para Mali por 1 a 0 e complicou sua situação num grupo que ainda tem Gana. Botswana é, provavelmente, a equipe africana mais surpreendente do último ano. Classificou-se em primeiro nas eliminatórias num grupo que tinha Togo e Tunísia (que acabou se classificando como uma das melhores segundas colocadas), fazendo uma campanha de 5 vitórias, 2 empates e 1 derrota. Merece destaque o fato da seleção ser formada, em sua grande maioria, por jogadores que atuam no país, e os que atuam fora estão no futebol da África do Sul; não há ninguém em outro continente. Botswana é bem representativa desse futebol mais pragmático que vem nivelando essas seleções; nos 8 jogos das eliminatórias, foram apenas 7 gols marcados e 3 sofridos. Um último destaque vai para uma seleção que não se classificou, mas fez uma bela eliminatória; Cabo Verde, que terminou empatada com Mali e perdeu a vaga apenas nos critérios de desempate.

Dos jogos que estão por vir, ainda nessa primeira fase, destaco o confronto das surpresas Guiné e Botswana e Angola vs Costa do Marfim, que tem tudo pra ser um dos melhores desse início de competição.

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3 respostas em “Copa Africana de Nações

  1. Mesmo sem ser tão ofensiva quanto poderia, acho que a Costa do MArfim vai levar essa até pela necessidade de ganahr enquanto o time ainda é forte.

    Quanto ao Senegal, Newcastle comemora! Serão apenas dois jogos na Premier League sem ele, 1v1d

  2. é, essa geração da Costa do Marfim precisa ganhar alguma coisa. eles até agora jogaram pro gasto, mas tbm não precisaram de mais que isso. acho que o jogo contra angola pode ser um bom termômetro; se bem que a Costa do Marfim pode cozinhar e segurar o empate, vai saber.
    o Newcastle fica feliz, mas o pessoal no Senegal deve estar com um pé atrás com o Demba Ba.
    Gui, com essa história de ano que vem tbm ter a CAN, qndo serão as eliminatórias? no segundo semestre já? as seleções africanas jogarão sem parar?

  3. Pois é, isso é meio sem sentido mesmo, mas achoq ue tem que ser, né. Fora que elas precisam jogar a da Copa tbem, pra daqui dois anos… Com essa multiplicidade de países, eles tem que jogar muito. Sobre Senegal, acho que é justo a desconfiança, ainda mais que desde a Copa onde foram a surpresa, eles só frustraram, na última eliminatória de Copa, nem pra frase der grupo foram

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