Últimas… das Copas

Mesmo os reservas da Juve atropelam atual Roma

Foram realizadas nessa semana as quartas-de-final da Copa Itália. Este é um torneio atraente, pois se o futebol praticado no país tem sido de mínimo interesse em geral, a Copa Itália traz algumas particularidades que chamam a atenção.

Primeiro, o fator emocional. Na Itália, a presença de times realmente pequenos que jogam as fases avançadas, como acontece aqui ou mesmo na Inglaterra, é rara, tornando as brigas pelo título muito emocionantes. Isso se dá justamente porque alguns grandes veem ali sua chance de ganhar talvez seu único título na temporada, já que o campeonato tem sido dominado sempre pelos mesmos times e as competições europeias oferecem uma dificuldade muito maior. Assim, equipes de nome que ficaram fora da briga pelos títulos nos últimos tempos, como Lazio, Roma ou mesmo uma Fiorentina, se aplicam para ganharem o segundo torneio do país. Chegar à final, tradicionalmente decidida em um jogo na capital italiana, é uma briga que exige desses times colocar muito do seu plantel em questão. É natural que a Champions e o campeonato fiquem na frente da Copa em termos de prioridade, mas com o valor que o torneio acaba ganhando, realçado pela quantidade de confrontos entre rivais, as equipes são obrigadas a colocar em jogo quase sempre o melhor time disponível.

Terça-feira o duelo entre Juventus e Roma foi perfeito para visualizar isso. A Juve, líder do campeonato, jogava em casa recheada de desfalques, entre lesionados e poupados, escalando Del Piero entre os onze que iniciaram o jogo, por exemplo. Ainda assim, tinha uma boa quantidade de titulares, como toda a defesa, além de Pirlo. Já a Roma vinha com força máxima, excedendo os lesionados. Para o time da capital, que passa por uma reconcepção após sua venda, tentando montar uma nova filosofia ao comando de Luis Enrique, esse é o grande título da temporada. Vencer o italiano está fora de questão, e mesmo a vaga em um torneio europeu é difícil, já que hoje Udinese, Lazio ou Napoli tem todos times mais bem montados e um estilo definido de jogo em exercício. A Roma ainda está em busca do que ela realmente é.

Por causa dessas indefinições, não foi surpresa que o jogo mostrasse uma Juve mais ofensiva, pintando e bordando com o rival. O time da capital peca em muitas coisas, embora tenha meias interessantes, como o bósnio Pjanic, que dá uma boa saída pro time, arrisca chutes, enfim, se assume um líder em campo; mas o resto do meio parece incapaz de tocar a bola um para o outro. Com De Rossi fora, os volantes do time têm uma limitação incrível de toque de bola, e só veem o ataque com um arranque surpresa. A Juve é inteligente, e Conte, seu técnico, não escalou a defesa titular sem motivo. É difícil imaginar defesa mais bem montada e posicionada, onde joga ainda um dos maiores zagueiros do mundo, o Chiellini.

O ataque da Roma até teve suas chances. O melhor jogador era o argentino Erik Lamela, que até mostrava jogadas de habilidade, mas via o time ter dificuldade em conclui-las; o ataque é muito aberto e os meias não entram suficientemente bem. Nessa temporada, o time da Roma tenta não jogar com um centroavante típico, colocando assim dois pontas abertos e um meia vindo de trás como um ponta-de-lança. Só que isso ainda não funciona. Aproveitando-se desse tipo de problema, a Juve se armou para o contra-ataque.

Luis Enrique erra ao montar uma defesa muito avançada, que por isso é sempre pega de surpresa. Esse tipo de esquema ressalta os descuidos individuais dos jogadores, pois uma bobeada gera sempre um enorme perigo, bem maior do que numa defesa postada mais atrás. Assim, com Gago e Simplício jogando de volantes mais soltos e menos colados à zaga, o que se via no jogo era um desastre de Kjäer, o dinamarquês, que acabava errando nas coberturas dos lances. Por isso não foi surpresa quando Giacherini entrou livre para fazer o primeiro. Sem corrigir o erro, muitas vezes a Roma perdia chances e via a Juve se aproximar do gol. Num ataque desses, com a defesa inteiramente perdida, em especial Rodrigo Taddei, jogando como lateral sem saber sequer quem deveria marcar, Del Piero aproveitou uma bola cortada e meteu um gol daqueles. A torcida enlouqueceu e a Roma sentiu. Daí em diante, o time não fez mais nada.

No segundo tempo até ensaiaram novamente atacar, tiveram uns chutes perdidos, mas a verdade é que a Roma de Luis Enrique, a nova Roma, não tem nível ainda pra encarar esses times. Não tem nível nem pra pegar a Udinese. E por isso deverá seguir como um time em formação por mais algum tempo. Houve no final ainda um terceiro gol, em linda jogada de Quagliarela – que aliás demorou pra entrar, dado o ridículo que era Taddei marcando o homem da ponta esquerda, até então o paraguaio Estigarríbia, bem menos perigoso que o italiano – finalizada com um gol contra de Kjäer, desses que não se pode culpar o zagueiro pois era pressionado pelo atacante adversário, no caso o Matri. Essa variedade de elenco da Juve, e o fato do time estar confiante e bem estabelecido no campo, faz uma diferença que pode levá-los aos títulos da temporada.

Há anos que a Juve não chegava perto desse nível – já a Roma permanece no estágio anterior pelo mesmo tempo que os rivais de Turim estiveram, mas sem nunca ter sido rebaixada.

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A Copa da Liga na Inglaterra também teve suas semifinais essa semana. As semis, única fase do torneio com ida e volta, são o momento mais intenso do torneio, onde se revela quem o está levando realmente a sério. Por um acaso, Crystal Palace e Cardiff fizeram uma delas, a dos mais fracos, enquanto Liverpool e City fizeram a outra, bem mais forte. É comum nesse torneio times pequenos chegarem nas fases decisivas, com muitos grandes colocando elencos mesclados, por vezes até totalmente reservas. O City, por exemplo, certamente se preocupava agora menos com a Copa do que o Liverpool, que não deve brigar nem pela Champions, já que está em sétimo no campeonato. O time de Manchester, que até ano passado não vencia títulos há vinte e tantos anos, levou muito a sério o torneio na última temporada, com uma vitória na base da garra contra o United na semifinal. Para os Reds, no entanto, o título esse ano poderia ser visto como uma volta ao aspecto vencedor de clube.

No confronto dos mais fracos, dessa vez deu Cardiff, mostrando que os times galeses estão se organizando mais, se contarmos também com a boa presença do Swansea na Premier League em sua primeira participação. O Liverpool passou do City graças ao primeiro jogo, onde foi superior até com sobras. Justo dizer que não chegou a haver desinteresse do City, embora não atuassem com toda a sua potência. Lembro que a Copa da Liga não é o mesmo torneio que a FA Cup, do qual o City é atual campeão.

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Falaremos de Real Madrid e Barcelona mais pra frente, mas que jogaço foi essa volta da Copa do Rei! Enfim, na ânsia por um resultado positivo, já que precisava fazer gols, Mourinho desistiu da estratégia cautelosa, não foi pro desespero no começo e conseguiu fazer o Real parecer um time de verdade. Se não deu pra ganhar, a impressão foi de um novo Real. Veremos a postura daqui em diante.

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Relembrando… Hristo Stoichkov

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A Bundesliga segue o campeonato mais disputado e um dos mais divertidos de se assistir, pela torcida, pela garra e também pela qualidade, principalmente de Borussia Dortmund e Bayern, que no momento empatam em pontos, passado mais da metade do campeonato, também com o Schalke. Três times a essa altura! Voltamos ao campeonato mais detalhadamente também em um próximo texto.

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