Campeonato Paulista – o início

Jogadores do Comercial comemoram gol no clássico Come-Fogo

Todos conhecemos aquele papo de que é começo de temporada, não vale muito, vários times utilizam o começo de estadual como uma autêntica pré, jogando com times reservas. Concordo que tudo isso faz sentido, mas acho que esse início aponta certas coisas ou, no mínimo, mostra fatos que dizem por si só.  São jogos e, acima de tudo, é futebol.

Paro agora e penso: “fico eu aqui me explicando por fazer um texto sobre o estadual”. Isso, claro, diz muito sobre a minha relação com o campeonato, mas acho que diz também sobre a credibilidade que os estaduais têm hoje. Aí voltamos às questões que já foram discutidas por aqui num podcast: o problema que esses campeonatos são no calendário de vários times, os diversos erros de formatação, o assassinato de times pequenos e tradicionais do interior do país, o surgimento de times de empresários apenas interessados em negociar jogadores. Mas nada disso elimina o futebol.

Vamos então ao Paulista em seu início de disputa. Logo de cara, gostaria de destacar o clássico Come-Fogo. As duas equipes de Ribeirão Preto, Comercial e Botafogo, não se enfrentavam na primeira divisão há mais de duas décadas; o público (8 mil pessoas) foi um pouco decepcionante, mas as rivalidades regionais são fundamentais e, sem dúvida, se esses times continuarem se enfrentando em disputas interessantes e valorizadas, esse público será muito maior em pouco tempo, como já foi em outros momentos. São esses jogos, a existência de diversas rivalidades, que sustentam um campeonato e levam torcedores aos estádio; não apenas a presença de grandes times e jogadores.

Vale destacar também, nesse sentido, o Guarani vs Ponte Preta, que será, como sempre foi, um clássico quente. Apesar de hoje a Ponte estar bem mais forte que seu grande rival. Mas clássico é clássico e vice-versa. A ideia de que clássico envolve tradição, rivalidade, proximidade e não apenas times grandes, jogadores estrelas e disputa de título é fundamental. Voltando à Macaca, acho que ela e a Portuguesa, hoje, completam o top 6 do Paulistão, após os times mais conceituados.

O Mogi Mirim surpreendeu no início, mas acho que não segura a onda. O Comercial parece ter um time seguro e pode brigar pra se classificar. O Linense é outro que tem uma boa equipe, sabendo tocar a bola e criar algumas chances de gol. Mas o destaque entre os pequenos, sem dúvida, é o Paulista. O time de Jundiaí, treinado por Sérgio Baresi (que fez um grande trabalho nas divisões de base do São Paulo), vem jogando com autoridade dentro e fora de casa. Estreou vencendo a Portuguesa, no Canindé, por 2 a 0. Em seguida, em casa, uma bela vitória por 3 a 0 sobre o Comercial. Aí veio o empate com o time do Santos, que apesar de ter jogado com sua equipe reserva, não deixa de ser o time campeão da América. E ontem, mais uma vitória fora de casa, 2 a 1 sobre o Mirassol (que vinha montando bons times nos últimos anos). Destaque para o garoto Dener, emprestado pelo São Paulo, que vem jogando bem e fazendo gols.

Dos quatro grandes do estado, nada muito surpreendente por enquanto. O Santos, como comentado, vem jogando com um time completamente reserva (os titulares jogarão hoje, contra o Oeste, pela primeira vez). E time reserva não tem como ser analisado. No Corinthians, talvez o que mais surpreenda seja a total falta de qualquer surpresa. A máxima “em time que está ganhando não se mexe” foi levada muito a sério. É o mesmo Corinthians que terminou o ano passado, muito bem organizado, muito metódico e muito chato de assistir. Acho que as chances de, digamos, dar certo no Paulista e no Brasileiro são grandes, mas Libertadores é outra história. Creio que o tal pedido de vibração do Tite vem dessa noção. Mas quanto de culpa tem ele próprio nisso? Muita, eu diria.

O Palmeiras continua sem conseguir a mínima confiança de que brigará, de fato, por algum título. Valdivia fez umas boas jogadas, já surgindo novamente como esperança; e aí novamente se machucou. Sei não. No ataque cria-se pouco e ninguém sabe finalizar bem e com regularidade. A super dependência de Marcos Assunção, um volante de 35 anos que se destaca apenas nas bolas paradas, beira o surrealismo para um time que pretende ser campeão de competições importantes.

O São Paulo, como torcedor, foi o time que acompanhei com mais aplicação. A mudança que chama mais atenção, em relação ao ano passado, é a postura do time, agora ofensiva, com um Fernandinho diferente, mais objetivo, mais finalizador. Essa mudança no de Fernandinho é fundamental se a pretensão for tê-lo como o substituto de Dagoberto no time titular. Mas tem a defesa; uma calamidade até agora. A quantidade de vezes que os adversários têm chegado com maior número de atacantes é impressionante. E as bolas aéreas, assim como ano passado, são um Deus nos acuda. João Filipe é alto, mas não tenhum nenhuma noção de tempo de bola e também não sabe se posicionar na bola aérea para dificultar a cabeçada do atacante; , ele nunca chega junto usando o corpo na dividida. Foi de titular a quarta opção. Rhodolfo é bom, mas não dá conta de segurar a bronca sozinho, e não me parece, também, um bom organizador de defesas. O Edson Silva tem se destacado bastante nas bolas aéreas ofensivas, mas ainda me parece um pouco perdido no posicionamente defensivo. O meio de campo precisa ajudar mais na marcação e evitar as perdas de bola naquele setor para as jogadas adversárias não chegarem tão redondas na área são-paulina. O Lucas, apesar de ter sido decisivo em dois jogos, vem errando muito. Tudo bem, ele tem chamado jogo e isso é bom, mas a quantidade de passes e dribles que não dão certo precisa diminuir. E o time realmente precisa de alguém que pense e distribua o jogo. Cícero não é o cara pra fazer isso. Todos esperam que o Jadson assuma a responsabilidade, mas um outro jogador me surpreendeu nas vezes que entrou. Maicon, que veio do Figueirense, mostrou ter muita noção do jogo, sabendo segurar e distribuir a bola, pensando bem no que acontece e no que precisa ser feito. Pra mim, nesse momento, seria titular.

Apesar de todos os problemas, o Paulistão continua sendo o estadual com os melhores times pequenos do país, o que proporciona bons jogos entre grande e pequenos e alguns jogos emocionantes e divertidos entre os times diminutos. Eu, por exemplo, aposto num belo jogo entre Paulista e Ponte Preta, e lembro do exemplo do Comercial 3 vs 4 Linense na primeira rodada. Mas acho também que os times do interior precisam parar com essa palhaçada de cobrar preços absurdos nos jogos contra os grandes e se atentar mais para sua torcida. Esse ganho de dinheiro imediato, que parece tão fácil, pode se revelar um belo tiro no pé. E deixo claro que nenhum dos méritos que vemos no campeonato é responsabilidade da Federação Paulista, muito pelo contrário.

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