As estrelas do espetáculo

Bastian Schweinsteiger

A boa nova para a equipe do Bayern de Munique é que Schweinsteiger está recuperado de sua operação na clavícula e que já pode assumir a titularidade e o controle do meio-de-campo de seu já estelar clube. A notícia ruim é que há bons jogadores demais na meia do mais famoso dos times alemães, e que a opção de Jupp Heynckes por escalar todos os talentos não vem rendendo os objetivos desejados, tanto em resultados quanto em padrão de jogo. Em termos práticos, desde que a Bundesliga retornou de sua pausa de inverno, o Bayern já perdeu cinco pontos e a primeira colocação para o atual campeão Borussia Dortmund. A atuação de Schweinsteiger nada tem a ver com isso, mas o dilema de Heynckes pode ter. Contra o Hamburgo, e já antes vitoriosamente contra o Wolfsburg, Heynckes optara por escalar os melhores jogadores, com um meio formado por Schweinsteiger, Kroos, Robben e Ribery, com o titular desse subtítulo ocupando a função de primeiro volante outrora submetida a Tymoschuk ou Luiz Gustavo. Contra o Wolfsburg o resultado foi farvorável, mas neste último sábado contra o Hamburgo o meio do Bayern pecou pelo excesso de previsibilidade, já que Schweinsteiger e Kroos tinham poderes limitados para ir à frente e Robben e Ribery ocuparam os lugares que se esperam deles, tornando o ataque bávaro muito pouco dinâmico em termos ofensivos. Some-se a isso uma persistente fase ruim de Thomas Müller e você tem um time ameaçado por seus titulares compulsórios que, ainda que joguem muita bola, podem ser relativamente inoculados dadas suas posições mais ou menos estanques no campo. Independente dos esforços individuais, o Bayern foi um time obstinado porém apático, e não conseguiu sair de Hamburgo com nada além de um empate suado.

Philip Lahm

A nota negativa do jogo, no entanto, coube a Lahm, esse lateral de evidentes qualidades defensivas e ofensivas que deixou muito espaço sobrando por seu lado de campo, e em uma das ocasiões isso se provou fatal. Pode-se atribuir essa facilidade de acesso pelo flanco direito do ataque à defesa improvisada do Bayern, com o volante Tymoschuk ocupando a lateral-direita enquanto Boateng, um jogador-coringa que eventualmente faz às vezes de lateral, formou zaga com o titularíssimo Badstuber. Em todo caso, o fato é que o lado de Tymuschuk sofreu muito menos do que o de Lahm, e talvez a figura do volante de ofício tenha feito alguma falta para conter os avanços do adversário, mas à fria (e porventura injusta) luz da evidência foi de Lahm a maior responsabilidade pelo tento sofrido por sua equipe.

Juan Mata

Já nos territórios insulares da Europa, a Premier League viveu um grande jogo cheio de emoções e reviravoltas no placar. Foi o Chelsea 3 X 3 Manchester United em Stamford Bridge, com direito a uma abertura de vantagem de 3 a 0 do time da casa e uma improvável recuperação dos mancunianos, com direito a dois gols de pênalti, um dos quais, o segundo, fruto puramente da imaginação do árbitro Howard Webb. Seja como for, o grande gol do jogo (e da toda rodada do fim de semana, aliás) coube a Juan Mata, que marcou o segundo da equipe londrina fulminando a meta de De Gea com um voleio vindo de um certeiro cruzamento de Fernando Torres. Isolando os lances e o resultado, foi o mais belo momento do jogo, de plasticidade única, mas também serve como recompensa àquele que vem sendo, junto com Sturridge, o grande nome da equipe do Chelsea na temporada 2010-2011.

Wayne Rooney

Ele tem o direito de se sentir o jogador mais injustamente sacrificado dos grandes times da atualidade. Afinal de contas, enquanto jogou como atacante, Rooney jamais deixou a desejar em termos de empenho e criação de jogadas, mesmo nos tempos em que a seca de gols ocasionou boatos de que o grande atacante já vivera melhores dias. A excelência de Chicharito como goleador na temporada passada e a ascensão de Welbeck na atual, associada à ausência de um grande meia para fazer par com Giggs na armação do United, fez com que Rooney se tornasse uma escolha possível, ainda que estranha, para ocupar a posição de quarto meio-de-campo. O mínimo a se dizer é que Rooney tem feito jus à mudança tática operada pelo técnico Alex Ferguson, e pode-se dizer que a variação de posicionamento fez com que sua liderança fosse ainda mais sentida, positivamente, pelo elenco. Ignoremos as duas primorosas cobranças de pênalti que deram os dois primeiros gols ao Manchester. Basta olhar a maneira como ele pega a bola na rede, nas duas vezes, sem comemorar, sem vibrar, consciente de que aqueles são apenas dois trunfos passageiros na construção de um placar favorável por vir. Com três gols na conta negativa, suas corridas ao círculo central para recolocar a bola em jogo mostravam patentemente um líder disposto a muito mais do que fazer um golzinho de desconto. Rooney é o pulmão e o coração de sua equipe.

David De Gea

Até o presente momento, De Gea só chamava a atenção em momentos de falha flagrante ou lances desajeitados que o caracterizavam como alguém a quem não se deve atribuir confiança. Pode ser que o futuro confirme esse aspecto, que é sério e recorrente, mas nesse jogo contra o Chelsea, De Gea teve uma partida fabulosa, e mesmo tendo tomado três gols (sem culpa em qualquer um deles, diga-se), teve uma atuação formidável, digna de goleiro do primeiro escalão do futebol mundial. Em especial um chute de Juan Mata que tinha como alvo certeiro o ângulo, em que o jovem goleiro espanhol mostrou habilidade sobre-humana para alcançar e colocar a escanteio. Considerando as mui justificadas críticas que vem recebendo, perdendo por vezes a titularidade para o também irregular Lindegaard, a novidade vem como um quase milagre para os já desenganados torcedores do United: é possível ter novamente um goleiro confiável. Resta saber se o futuro confirmará o prognóstico favorável dessa espetacular atuação.

André Villas-Boas vs. Alex Ferguson

A despeito de um pênalti pessimamente marcado pelo árbitro Howard Webb, Chelsea X Manchester United foi decidido nas substituições operadas pelos treinadores de suas equipes. O comandante português do Chelsea optou por retirar Sturridge de campo para dar lugar ao volante Romeu, enquanto o longevo escocês que comanda o Manchester optou por adiantar Giggs colocando Scholes no meio-campo e adicionar mais um atacante, Chicharito, forçando o meia-direito Valencia a ocupar a lateral, cobrindo o substituído Rafael. A partir dos 10 do segundo tempo, o Manchester foi senhor das opções ofensivas e do controle da bola, frequentando cada vez mais a grande área adversária. Sobretudo depois da substituição do Chelsea, o time de Londres não logrou o menor sucesso em impedir os avanços do rival, e conseguiu isolar suas chances ofensivas ao ter como opções de saída de bola Raul Meireles, Romeu e um Essien ainda longe do melhor ritmo de jogo. O gol de  empate veio de um cruzamento de Giggs, agora livre no apoio, para o pequeno Chicharito, sozinho para cabecear entre os dois zagueiros do time da casa. Que tenham sido dois jogadores remanejados por Ferguson, isso pode ter sido um capricho do destino. Para os que acompanhavam a partida, no entanto, o lance surgiu apnas como o ato consumado que provou uma superioridade patente e de uma maior vontade de vencer. O resultado não foi o melhor dos mundos para o Manchester United, que viu seu rival de cidade isolar-se na liderança ao fim da rodada. Mas naquele momento em Stamford Bridge, havia apenas um time vitorioso, e esse era o clube visitante.

 

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