Flamengo e Olimpia em quatro atos

1º Ato: Passagem do caos à ordem.

O objetivo de toda narrativa religiosa, e o futebol, para muitos, é quase uma religião, é organizar o caos, ordenar a realidade em que se vive. E a realidade do Flamengo para primeiro jogo contra o Olímpia não era das mais animadoras. Cheia de desfalques, a equipe rubro-negra entrou em campo com jogadores muito novos e com pouquíssima experiência em Libertadores para enfrentar o adversário mais importante do grupo, já que não havia alternativa. Em meio a esse caos, o Flamengo precisava se organizar para enfrentar o Olimpia. Essa passagem do caos até a ordem durou aproximadamente 30 minutos. Enquanto o Flamengo não conseguia se encontrar em campo, já que o meio de campo, formado por Luiz Antônio, Muralha, Thomas e Bottinelli, ainda não se encaixava, o Olímpia tratou de pressionar o Flamengo, levando muito perigo com Orteman e Maxi Biancucchi.

Enquanto o Flamego não se organizava, Bottinelli e Vagner Love eram os únicos que tentavam alguma coisa. E foi com eles que o Flamengo fez o seu primeiro gol. Depois de uma bela jogada de Vagner Love, Bottinelli recebe na grande área e toca por cima do goleiro Martin Silva. O gol tranquiliza o time e agita a torcida do Flamengo. No final do primeiro tempo, o Flamengo já era melhor que o Olímpia..

2º Ato: Apogeu e queda rubro-negra

Com o time organizado, o Flamengo voltou para o segundo tempo com uma outra disposição, anulando completamente o jogo do Olímpia. Além do meio de campo marcar bem, o Ronaldinho Gaúcho resolveu que era dia de jogar futebol e durante 30 minutos o Flamengo jogou o que não jogava desde setembro, outubro de 2011. Com 18 minutos do segundo tempo, o Flamengo já vencia por 3 a 0 e mantinha o controle do jogo. Mas arrogância e prepotência costumam ser motivos de castigo em algumas narrativas religiosas.

O Flamengo acreditou que o jogo já estava ganho e se descuidou da marcação que vinha fazendo até então, dando espaço pro time do Olímpia se aproximar da área rubro-negra. E aos 31 minutos, depois de Muralha fazer falta, Zeballos, cobrando a falta que recebera, marca o primeiro gol do Olimpia. Joel Santana acreditou que, após o gol feito pelo Olímpia, o adversário sairia mais pro ataque e abriria espaços em sua defesa. Por conta disso, tirou o Thomas, que estava bem no segundo tempo, e colocou o Negueba pra aproveitar os possíveis contra-ataques. Joel só deixou de perceber que a equipe já não roubava bolas da mesma forma como começou o segundo tempo. O Olímpia se aproveitou disso, e empatou o jogo com gols de Caballero e Marin. A festa que se desenhava aos 30 minutos do segundo tempo se transformou em pesadelo, castigando um time que não manteve a atenção durante o segundo tempo.

Entreato

Depois de um resultado absolutamente inesperado, os fantasmas do passado voltaram a atormentar a equipe rubro-negra. Apesar do resultado não ter explicação aparente, os meios de comunicação resolveram dizer, ainda assim, que era uma vergonha, um vexame, que falta vontade ao time do Flamengo e que era só recorrer ao passado recente do time na Taça Libertadores que já saberíamos que esse Flamengo é assim.

Com a torcida insatisfeita com o resultado, exatamente por conta desse passado recente não muito glorioso, o time acreditou que criar um clima de guerra ajudaria a superar o Olímpia fora de casa, que a força de vontade era suficiente para vencer uma batalha em pleno Defensores del Chaco. Mas mais importante que chamar às armas, é saber com quais armas o Flamengo enfrentaria a batalha.

3º Ato: A Blitzkrieg paraguaia

O que se espera de um time que diz que vai pra guerra é que ele, pelo menos, conheça a forma como seu adversário joga pra poder fazer frente. Já que o Flamengo não aprendeu nada com os 15 minutos finais do jogo passado, esperava-se que o comandante rubro-negro tivesse assistido a algum jogo do Olímpia pra ver esquema tático, disposição dos jogadores em campo, essas coisas que parecem importantes pra qualquer um que goste de futebol. Mas parece que não foi isso que aconteceu.

O Olímpia se portou contra o Flamengo da mesma forma que se portou contra o Libertad. Aos 6 minutos de jogo, marcou o primeiro gol, feito pelo volante Orteman, depois de uma falta desnecessária feita pelo David Braz na lateral do campo, e passou a se defender, já que não havia necessidade de se expor e poderia explorar o contra-ataque, aproveitando-se dos – muitos – erros do adversário. O Flamengo, visivelmente nervoso e desorganizado, não conseguia penetrar na defesa paraguaia. Além de fazer uma marcação rígida, o time paraguaio fechava bem os espaços de sua defesa, dificultando a armação de jogadas do meio de campo rubro-negro. O jovem Muralha, que sentiu o clima criado em torno do jogo, não fez uma boa partida, Ronaldinho, muito bem marcado, não conseguia encontrar espaço pra jogar, Willians e Bottinelli simplesmente erravam tudo que tentavam. Só Luiz Antônio conseguia fazer alguma coisa no meio de campo do Flamengo, mas não era suficiente. Além de quase não levar perigo, o Flamengo ainda sofria quando o Olímpia partia para o contragolpe, sempre com Orteman, Marin, Caballero e Zeballos. Os paraguaios tiveram, pelo menos, mais duas chances reais de gol, que poderiam garantir a tranquilidade no segundo tempo.

 4º Ato: Paraíso franjeado e inferno rubro-negro

O Flamengo resolveu partir pro ataque no segundo tempo e acabou abrindo o placar, empatando o jogo com o gol de Vagner Love, depois de um belo passe de Ronaldinho. Mas a alegria rubro-negra dura pouco, porque a defesa do Flamengo insistia em falhar. Em um ataque pela esquerda, a defesa rubro-negra não consegue afastar a bola da área, e Zeballos chuta duas vezes até marcar o gol de desempate. E a configuração do primeiro tempo acabou se repetindo. Flamengo com dificuldade em penetrar na defesa adversária e o Olimpia  saindo no contra-ataque para ampliar o placar. E dessa forma, Marin faz o terceiro gol, depois de uma bela jogada. Com isso, a equipe paraguaia se fechou ainda mais, dificultando a vida do Flamengo.

Na base da vontade, o Flamengo fez o segundo gol, mas foi pouco. Pra quem se dizia preparado pra guerra, não se pode contar apenas com a vontade. Era preciso muito mais que isso pra ganhar o jogo, na verdade, precisava saber jogar futebol, querer jogar futebol, saber que campeonato está disputando etc. O que encontramos, na verdade, é um time sem rumo, que não sabe muito o que fazer, mas que tem que entrar em campo. Um time sem alma, e que por conta disso, vive um inferno nessa temporada.

 Epílogo

O confronto que decidiria o líder da rodada, decidiu que o Olímpia só depende de si para ser o primeiro do grupo e que o Flamengo, se tem alguma pretensão de se classificar, dependerá do Olímpia para passar a fase seguinte.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s