A grande final de Liga Europa e o choro basco

Fernando Llorente chora após a derrota

Atlético de Madrid versus Athletic Bilbao, pela final da Liga Europa, foi um jogaço! E não só pela entrega e garra dos dois times na luta por um título, o que é comum em jogos entre equipes, digamos, médias. O futebol apresentado foi realmente excelente, bem jogado e vistoso. Os treinadores terminaram a competição com muito prestígio, e não poderia ser diferente. Diego Simeone assumiu neste ano o Atlético de Madrid e vem fazendo um trabalho fantástico. Os números na Liga Europa são impressionantes: 12 vitórias consecutivas, a maior sequência de triunfos de um clube numa competição da UEFA na história. O treinador conseguiu firmar o quarteto ofensivo da equipe com Arda Turan, Diego, Adrian e Falcao, com todos jogando bem, regularidade que não vinha acontecendo antes do técnico argentino assumir. O turco Turan e o colombiano Falcao, em especial, vêm jogando muito futebol. Vou, então, a essa partida final. O desempenho do Atlético foi nada menos do que impressionante. Uma organização tática absolutamente perfeita durante todo o jogo, com uma marcação no campo ofensivo que não deu uma folga, não dando espaço para a grande arma do time de Bielsa: ter a bola, tocá-la e criar. Sem espaço, sem folga, sem a posse da bola, o jogo do Athletic simplesmente não aconteceu e por total mérito do time de Simeone. Falcao foi um monstro no ataque, fazendo um golaço de craque pra abrir o placar e aumentando para 2 a 0 numa jogada digna dos melhores centro-avantes. Diego começou o jogo meio apagado, mas a postura da equipe, o jogo coletivo, dava conta de uma falta de brilho individual. E manteve todo mundo bem postado, até que Diego resolveu jogar. Deu bons passes, soube segurar a bola quando necessário e, pra completar, fez uma belíssimo terceiro gol. A dupla de zaga, Godín e Miranda, foi extremamente segura durante todo o jogo, assim como o jovem goleiro Courtois que, quando precisou, não deixou dúvidas sobre sua segurança.

Marcelo Bielsa, do Athletic, conseguiu montar uma grande equipe de futebol. O time basco, como é notório, aposta muito na base e só utiliza jogadores com origem na região. Assim, o técnico argentino encontrou uma equipe muito jovem, mas também muito unida e com uma torcida apaixonada. Bielsa é daquelas figuras que fazem falta no futebol. Um treinador que acredita no trabalho de montar uma equipe, de trabalhar o conjunto, mas sem esquecer dos fundamentos e técnica de cada jogador. E é sempre ofensivo, valorizando a bola e a criação. A seleção chilena, treinada por ele entre 2007 e 2011, é um belo exemplo desse trabalho de “El Loco”. No Athletic existe um conjunto forte acima de tudo, com uma forma de jogar clara e dominada por seus jogadores. E tendo a importante referência do maior destaque individual do time, Llorente, no comando do ataque. Assim, o time chegou à final da Liga Europa, ganhando moral a cada jogo, principalmente na eliminação do gigante Manchester United. No Campeonato Espanhol, também apresentou atuações de grande destaque, como o belo jogo contra o Barcelona, vencido pelos catalães no finalzinho, mas com grande atuação da equipe basca. Pep Guardiola falou o seguinte sobre o argentino: “Estamos diante do melhor técnico do planeta na atualidade. Faz um jogo honesto, dando seu máximo e atacando ganhando ou perdendo”. Estou com Guardiola!

Mas agora vou ao ponto que mais me impressionou no confronto: o choro basco. Assim que saiu o terceiro gol do Atlético, marcado por Diego, vimos o atacante Muniain, do Athletic, caído no chão, com as costas pra cima e o rosto afundado nas duas mãos, que tocavam o gramado. Percebíamos, pelo movimento de seu corpo, que chorava. E chorava muito. O jogo ainda não havia acabado, mas a possibilidade de vencer, sim. De cara veio a lembrança da bela imagem de Llorente chorando após a classificação do Athletic para a final da competição, eliminando o Sporting. Mas ali, o pranto era de felicidade. Encerrada a grande final espanhola, o choro tornou-se coletivo. As imagens que vimos ali explicam melhor a importância daquele time, a ligação entre ele e seus jogadores, do que qualquer coisa que eu possa escrever aqui. Os jogadores do Atlético (que vale lembrar, foi fundado por bascos que queriam fazer uma filial do Athletic em Madrid) foram consolar os colegas/amigos do rival e, num gesto muito interessante, fizeram eles o corredor de aplausos para passar o time do Athletic; normalmente, o time perdedor faz isso para o vencedor. Entender essa paixão, esse orgulho basco, pra quem é de fora, parece um pouco difícil. Eu, por exemplo, sempre tive um pé atrás. Mas acho que momentos como esse fazem a gente entender um pouco mais que uma paixão, uma identificação, pode existir sem querer o mal do outro ou achar o outro pior. Foi impossível não se emocionar com aquele choro coletivo. E ver jogadores, representantes de Madrid, aplaudindo e também se envolvendo com aquilo, foram imagens bem fortes.

Link para matéria na ESPN com vídeo do choro após o jogo

O choro da vitória na classificação para a final:

 

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