Por um pouco de posse de bola (a partir de Real Madrid e Bayern de Munique)

Ozil, líder do meio de José Mourinho

Sim, retorno a um jogo de umas boas semanas atrás. De lá pra cá, Real sagrou-se campeão espanhol, o Bayern perdeu para o Chelsea e saiu da Champions de mãos vazias e as discussões deixaram os clubes e voltaram-se às seleções. Mas as observações que este jogo, o de volta da semi de uma Champions já finalizada, permitiram ver não perderam seu valor.

O foco aqui será o Real. A respeito do Bayern, aguardemos um texto da final da Champions e sobre o futuro desse ótimo time. Vale destacar apenas que seu desempenho contra o Real Madrid foi excepcional, no limite da qualidade do elenco, ainda que o máximo dessa qualidade seja levar apenas às cobranças de pênalti contra o time de CR7 (cobranças, aliás, onde o Bayern foi muitíssimo bem sucedido).

O que a temporada revelou como fato sobre o Real foi seu estrondoso poder ofensivo. O ataque, veloz e sempre pegando as defesas desmontadas, funcionou sempre brilhantemente. Cristiano Ronaldo e Benzema foram irrepreensíveis. Higuain, quando exigido, também. Di María, antes de se lesionar, também fazia grande temporada, e Ozil foi essencial para o ritmo do meio, pois tem o vigor e o dinamismo que a armação do time requer para seu estilo.

O único problema, e que o jogo com o Bayern denuncia tão bem, é a capacidade do Real de, quando precisar, ser também um time que retém a bola. Não acredito que se deva cobrar uma totalidade dessa posse como o Barcelona faz, já que isso é um estilo de jogo do ex-time de Guardiola e é um erro crasso acreditar que todos devam jogar assim. No entanto, Mourinho alcançou o sucesso máximo de seu time nessa temporada como uma espécie de Corinthians super poderoso. O Real é contragolpe dependente, viciado. Se não pode utilizar a velocidade, o time passa a ter incrível dificuldade com a bola. E não é por falta de passe e jogadores inteligentes: Xabi Alonso, por exemplo, fez uma temporada até excelente, mas parece sempre um pouco subutilizado na equipe.

Assim como peço ao Barcelona que acredite em alternativas, em jogadores que não pareçam apenas versões uns dos outros, o que tornaria seu estilo realmente vistoso, em vez de assustadoramente robótico, queria ver o Real saber jogar doutro jeito. Bayern de Munique enfrentou o Real sempre no seu ritmo, no seu tom. Impôs o jogo. Já o Real, mesmo em casa, após um bom início, voltou a jogar na velocidade, como se fosse seu único e possível trunfo. Não é. Um time com Ozil, Alonso, CR7, Benzema, Di María… Não faltam aí alternativas para se construir outros tipos de jogadas.

OK, pode-se argumentar que o Real também jogou no seu tom, e não teria por que ser diferente, ao esperar para sair em velocidade quando desarmava. Mas o Bayern, mesmo no Santiago Bernabéu, foi mais dominante, com sua movimentação constante entre os meias, que trocam de lado sem parar, especialmente quando ganham ainda o Muller como opção. O meio do Real tinha dificuldades de compreender esse funcionamento, e com isso de inibir essa qualidade do time de lá. São coisas que Mourinho deve levar em consideração para a próxima temporada. Pensar em mais alternativas, em jogadores que dêem ao elenco, mesmo no banco, outras possibilidades de mudar o jeito do jogo.

Além disso, ele deve urgentemente reforçar o setor defensivo. O Real, para um time que muitas vezes opta por estratégia cautelosa ao enfrentar equipes fortes, não pode fazer isso com jogadores tão fracos individualmente. Seu melhor marcador, hoje, é o Pepe, um louco que a qualquer momento pode prejudicar o time. Sergio Ramos está longe do auge, Ricardo Carvalho quase aposentado, e os que restam ou são melhores no ataque, como os laterais Coentrão e Marcelo, ou são simplesmente fracos para o Real.

O mesmo vale para os volantes. Khedira é brilhante para o sistema do roubar e sair em velocidade, mas está distante de ser um jogadoraço. Há alternativas de jogadores no mercado para ocuparem sua posição como titular, o que permitiria a ele ser uma valiosa opção em casos de lesões e afins. Infelizmente, o Sahin, que poderia ser esse jogador, não deu certo no time, em um histórico misto de lesões com falta de encaixe. Quem o viu no Dortmund sabe que é um jogador que passa muito bem, mas talvez funcionasse melhor num time que jogasse mais com a bola no pé.

Para fechar, não estou dizendo que o Real Madrid não tenha posse de bola. Certamente seus números são bons, até por enfrentar muitos times fracos. O que digo é que a efetividade do Real é muito maior quando não retém ela, quando corre com ela, impiedosamente atacando as defesas desarmadas. É um sistema vencedor, mas falta um pouco para ganhar de vez a Europa e convencer-nos de que é algo marcante, histórico (como o rival Barça já se provou ser). Vejamos se Mourinho concorda comigo, o que poderá ser percebido quando soubermos quem o time contratará – e também quem vai sair.

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