O que teria acontecido a Espanha?

Juan Mata, eterno injustiçado na seleção espanhola, um possível líder para reformulação.

Juan Mata, eterno injustiçado na seleção espanhola, um possível líder para a reformulação.

Fala-se sobre o assunto por todos os lados. Fim de era para uns, fim de geração para outros. Legado, ultrapassado. Neste ponto todos, como nós, iremos ter ideias sobre o assunto. A Espanha dominou o futebol entre 2008 e 2012, é um longo período. Paralelamente, sua sombra, a equipe formada no Barcelona por Pep Guardiola burilava um estilo de jogo. A Espanha nunca foi um espelho real do Barcelona, sempre atuou com homem de área, sempre teve algum meia de mais movimentação, mas no duro se aproveitava, se alimentando do estilo do futebol espanhol. Atualmente, o Barcelona passa por reformulação, Xavi o jogador símbolo deste futebol não joga em alto nível há quase dois anos e deve ir jogar fora da Europa. Fabregas deixou o Barcelona, Thiago deixou o Barcelona na temporada passada. Não há substituto. A equipe vai se reinventar. Mas e a Espanha?

Parece claro que a geração mais velha deixará a equipe. Xavi, Casillas, Torres, Villa, talvez mesmo Xabi Alonso, ainda em boa fase, mas em uma Copa medíocre. Mas há de se dizer que o estilo espanhol não acabou. Esta ideia é a que julgo mais equivocada. O futebol de meias que se triangulam, buscando o espaço, segue firme em vários jovens. Muniain, Isco, Ander Herrera. De Gea, Thiago, Javi Martinez, alguns já presentes, outros em processo. Mata, um eterno injustiçado por ser mais um dublê de David Silva, pode ocupar posição importante. Há vários jovens, com menos de 25 anos, carregando isso – Deulofeu, por exemplo, foi emprestado ao Everton pelo Barcelona e rendeu muito bem mesmo na Premier League. A Espanha é campeã, usando um estilo semelhante, em categorias de base da Europa. Por tanto, o futebol espanhol segue – o time é que fica. Como ficou sua sombra, o Barcelona. Há diversos legados, times que de forma diferente dão seguimento ao trabalho iniciado nesses anos. Alguns de forma mais repetitiva, monótona, tal qual o próprio Barcelona a e a seleção tornaram-se, outros de forma evoluída, mesclando ideias. Pep Guardiola mesmo fez isso no Bayern, trazendo algumas ideias, mas não abandonando o estilo objetivo da equipe. A Roma desta temporada, por exemplo, se utilizava dos meias fazendo uma movimentação rápida, triangulando, com pontas que fechavam pelo meio, abriam espaço.

O maior legado, aquele que parece menos óbvio, é o da marcação por pressão. O time conhecido pela posse, relembrou aos futebolistas importância de não abrir espaços para o adversário. Se preenche, de forma similar ao futsal, qualquer espaço, limitando aos adversários a possibilidade de trabalhar com mais calma. Embora sempre sofressem com times que pouco se importam com isso, jogando na defesa e saindo em velocidade, o estilo espanhol assustava muitas equipes com a pressão avançada. Já vai muitos anos desde que técnico e teóricos defendem que qualquer time deveria pensar em usar dessa saída, cansando e provocando erros. Existem maneiras diferentes de pressionar, mais alta como gosta por exemplo André Villas-Boas, onde os zagueiros avançam para o meio, assim formando um bloqueio forte na defesa. Mas há sempre os riscos, quando se enfrenta times com passe longo em jogadores como Pirlo, que conseguem colocar a bola onde quiser. Nada disso foi inventado, mas moldado. E como toda tendência, influenciou muitos. Tal qual influencia também outros modelos de sucesso, tanto de gestão quanto de estilo, como Arsene Wenger, que instituiu uma velocidade, juventude, frescor ao futebol inglês no começo dos anos 2000. Revolucionou até a maneira de se gerenciar um time. Mesmo que tenha ao longo da década sofrido com falta de títulos, Wenger inspirou muitos a buscar mais verticalidade, é um técnico do estilo puro.

Pouco aconteceu para os espanhóis na Copa. Seu manager, que sempre contou com a sorte de ter um elenco de alto talento e preparado para o sistema, não foi capaz de perceber que seu time precisava de remodelar. Ou, se teve noção, fraquejou em renova-lo. O que se viu foi um time mal convocado, despreparado, pronto para ser comido pelos estudiosos. O oposto do Chile de Sampaoli, um time fascinante, viril, inteligente. As mudanças táticas feitas entre os jogos evidenciam o técnico no comando. Preencher espaço, domar o adversário, atacantes móveis… Aranguix e Vidal. Que dupla. Na Espanha, o técnico perdido, fazia mudanças estranhas, como se já não houvesse mesmo o que fazer, jogando na fogueira o Koke no segundo tempo. O futebol segue, os estilos se modificam. Sempre houve e haverá maneiras diferentes de vencer – esta apenas encontrou nesse time sua versão mais pobre e despreparada em anos. O que virá para a seleção, não se sabe, mas certamente será algo interessante de se acompanhar.

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