O peso das camisas

Jogo incrível enre Alemanha e Gana termina em 2 -2, André Ayew impulsiona seu time no empate.

Jogo incrível entre Alemanha e Gana termina em 2 -2, André Ayew impulsiona seu time no empate.

É um fato que todos acabam respeitando o peso das camisas quando o assunto é Copa. É muito difícil fazer uma análise e ignorar que Itália, Brasil e Alemanha são as maiores potências da história do futebol, quando o assunto é Copa.

No entanto, as primeiras rodadas da Copa têm apresentado alternativas que assustam essas três seleções. A Itália chegou menos badalada, pois possui uma geração inferior ao seu normal, mas foi só apresentar-se brilhantemente na estreia com os ingleses e tudo mudou. Pirlo, Balotelli, toda a trupe passou a ser vista como favorita. E aí veio o choque de uma derrota para a revelação Costa Rica. E o oposto se desenha: todos começa a burilar quando a Costa Rica cederá por não ter experiência em alto nível. As evidências só podem falar do que existe. A Costa Rica é um dos cinco melhores times da Copa, demonstrou aplicação, mobilidade. E muito, muito talento, com Bryan Ruiz, Joel Campbell, Bolaños, segurança de Keylor Navas atrás. A Itália, nesse confronto, demonstrou não ter alternativas quando Pirlo está pouco inspirado. E toda a dita revolução que Prandelli tentou aplicar lá, favorecendo toque de bola, ofensividade, não parece acontecer em campo – os jogadores que vieram do banco foram risíveis, Cassano, Insigne e Cerco. O Insigne seria uma alternativa interessante, os outros parecem puro desespero. Thiago Motta entrou para dar mais pegada ao meio, no lugar de Verratti, o que produziu apenas lentidão ao time. Verratti pode ser um dublê de Pirlo, mas ele tem muito mais toque de bola que Thiago Motta. O equívoco é de formação. Com Marchisio como o meia a frente, não existem jogadores de ligação, apenas meias de toque de lado. Pergunto: se Cassano, veterano, mereceu chance na seleção, porque após considerar convocar Totti, Prandelli desistiu? Faltam mesmo meias criativos. Um jogador como Totti poderia mudar um jogo como esse, ou a decisão contra Uruguai. Mesmo que com tempo limitado – basta ver Drogba na Costa do Marfim.

O caso do Brasil já foi discutido, e creio esteja mais dentro do normal. A equipe não é tão forte quanto se vende o favoritismo, e o fator casa não foi milagroso contra o México. Acho um tropeço mais comum. Estranho será um resultado complicado contra Camarões, um time esfacelado e sem qualquer condição de enfrentar times fortes.

A Alemanha sofreu do mesmo drama da camisa. Sua estreia foi boa, mas contou com algumas sortes, digamos. O pênalti duvidoso, no começo, e o destempero de Pepe. Eles não tem a ver com isso e jogaram bem, o suficiente para golear Portugal. Já Gana apresentou-se com outro espirito. Um time aplicado, brilhantemente na disposição em campo, fez a Alemanha se desdobrar para não sair derrotada. Phillipe Lahm não foi bem na saída de bola, tendo errado em um dos gols, entregando a saída em velocidade para a virada de Gana. Ozil ia melhor quando se movimentava pelos lados, do que quando centralizava. Toni Kroos foi um pouco apático. Muller e Gotze foram bem, mantendo o sistema de trocas, levando perigo em diversos momentos a defesa de Gana, mas dependem muito dos meias jogarem melhor. Como não há qualquer passagem de laterais, com zagueiros dos dois lados, o time teve dificuldade de render. Sami Khedira foi o único meia que se mostrou em alto nível, marcando bem, saindo em velocidade, apareceu no ataque. A entrada de Schweinsteiger e Klose deu ao time outro perfil. Especialmente o meia, chamou o jogo pra si, permitiu a Ozil ter mais liberdade na marcação, já que Toni Kroos se marcava, sumido no jogo, permitindo um crescimento considerável do rendimento de todos. Klose comprovou porque é sim uma peça importante, mesmo que saindo da reserva – se ele não tem a mobilidade dos jovens Gotze e Muller, ele possui um QI de jogo elevado, além de um oportunismo raro, fazendo um gol no primeiro toque na bola. Em Gana, impossível não aplaudir o desempenho dos jogadores de frente, que taticamente pressionaram os zagueiros e volantes da Alemanha o jogo inteiro. Muitos erros foram cometidos, forçando lances perigosos. Asamoah Gyan, teoricamente homem de área, seguia até a defesa os meias. O único erro do técnico Appiah, a meu ver, foi a entrada do mediano Jordan Ayew, que toma decisões equivocadas sempre que segura a bola. Felizmente, o futebol é maior do que as camisas, mesmo no seu maior palco.

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