A grande final de Liga Europa e o choro basco

Fernando Llorente chora após a derrota

Atlético de Madrid versus Athletic Bilbao, pela final da Liga Europa, foi um jogaço! E não só pela entrega e garra dos dois times na luta por um título, o que é comum em jogos entre equipes, digamos, médias. O futebol apresentado foi realmente excelente, bem jogado e vistoso. Os treinadores terminaram a competição com muito prestígio, e não poderia ser diferente. Diego Simeone assumiu neste ano o Atlético de Madrid e vem fazendo um trabalho fantástico. Os números na Liga Europa são impressionantes: 12 vitórias consecutivas, a maior sequência de triunfos de um clube numa competição da UEFA na história. O treinador conseguiu firmar o quarteto ofensivo da equipe com Arda Turan, Diego, Adrian e Falcao, com todos jogando bem, regularidade que não vinha acontecendo antes do técnico argentino assumir. O turco Turan e o colombiano Falcao, em especial, vêm jogando muito futebol. Vou, então, a essa partida final. O desempenho do Atlético foi nada menos do que impressionante. Uma organização tática absolutamente perfeita durante todo o jogo, com uma marcação no campo ofensivo que não deu uma folga, não dando espaço para a grande arma do time de Bielsa: ter a bola, tocá-la e criar. Sem espaço, sem folga, sem a posse da bola, o jogo do Athletic simplesmente não aconteceu e por total mérito do time de Simeone. Falcao foi um monstro no ataque, fazendo um golaço de craque pra abrir o placar e aumentando para 2 a 0 numa jogada digna dos melhores centro-avantes. Diego começou o jogo meio apagado, mas a postura da equipe, o jogo coletivo, dava conta de uma falta de brilho individual. E manteve todo mundo bem postado, até que Diego resolveu jogar. Deu bons passes, soube segurar a bola quando necessário e, pra completar, fez uma belíssimo terceiro gol. A dupla de zaga, Godín e Miranda, foi extremamente segura durante todo o jogo, assim como o jovem goleiro Courtois que, quando precisou, não deixou dúvidas sobre sua segurança.

Marcelo Bielsa, do Athletic, conseguiu montar uma grande equipe de futebol. O time basco, como é notório, aposta muito na base e só utiliza jogadores com origem na região. Assim, o técnico argentino encontrou uma equipe muito jovem, mas também muito unida e com uma torcida apaixonada. Bielsa é daquelas figuras que fazem falta no futebol. Um treinador que acredita no trabalho de montar uma equipe, de trabalhar o conjunto, mas sem esquecer dos fundamentos e técnica de cada jogador. E é sempre ofensivo, valorizando a bola e a criação. A seleção chilena, treinada por ele entre 2007 e 2011, é um belo exemplo desse trabalho de “El Loco”. No Athletic existe um conjunto forte acima de tudo, com uma forma de jogar clara e dominada por seus jogadores. E tendo a importante referência do maior destaque individual do time, Llorente, no comando do ataque. Assim, o time chegou à final da Liga Europa, ganhando moral a cada jogo, principalmente na eliminação do gigante Manchester United. No Campeonato Espanhol, também apresentou atuações de grande destaque, como o belo jogo contra o Barcelona, vencido pelos catalães no finalzinho, mas com grande atuação da equipe basca. Pep Guardiola falou o seguinte sobre o argentino: “Estamos diante do melhor técnico do planeta na atualidade. Faz um jogo honesto, dando seu máximo e atacando ganhando ou perdendo”. Estou com Guardiola!

Mas agora vou ao ponto que mais me impressionou no confronto: o choro basco. Assim que saiu o terceiro gol do Atlético, marcado por Diego, vimos o atacante Muniain, do Athletic, caído no chão, com as costas pra cima e o rosto afundado nas duas mãos, que tocavam o gramado. Percebíamos, pelo movimento de seu corpo, que chorava. E chorava muito. O jogo ainda não havia acabado, mas a possibilidade de vencer, sim. De cara veio a lembrança da bela imagem de Llorente chorando após a classificação do Athletic para a final da competição, eliminando o Sporting. Mas ali, o pranto era de felicidade. Encerrada a grande final espanhola, o choro tornou-se coletivo. As imagens que vimos ali explicam melhor a importância daquele time, a ligação entre ele e seus jogadores, do que qualquer coisa que eu possa escrever aqui. Os jogadores do Atlético (que vale lembrar, foi fundado por bascos que queriam fazer uma filial do Athletic em Madrid) foram consolar os colegas/amigos do rival e, num gesto muito interessante, fizeram eles o corredor de aplausos para passar o time do Athletic; normalmente, o time perdedor faz isso para o vencedor. Entender essa paixão, esse orgulho basco, pra quem é de fora, parece um pouco difícil. Eu, por exemplo, sempre tive um pé atrás. Mas acho que momentos como esse fazem a gente entender um pouco mais que uma paixão, uma identificação, pode existir sem querer o mal do outro ou achar o outro pior. Foi impossível não se emocionar com aquele choro coletivo. E ver jogadores, representantes de Madrid, aplaudindo e também se envolvendo com aquilo, foram imagens bem fortes.

Link para matéria na ESPN com vídeo do choro após o jogo

O choro da vitória na classificação para a final:

 

Qual a sua, Mano?

Refletindo...

Quando resolvi fazer um post sobre algumas questões que venho tendo com o trabalho de Mano Menezes como técnico da seleção brasileira, fui olhar a ficha técnica de alguns jogos pra confirmar se minha memória estava correta. Confesso que, após essa pequena e rápida pesquisa, fiquei ainda mais confuso. A cada jogo que se sucedia, a cada novo time que aparecia escalado, eu entendia menos e menos qual é o objetivo de Mano na montagem dessa seleção.

Antes de tudo, volto um pouco no tempo: Dunga. Está aí um cara que eu não quero como técnico do meu time. Nunca. Mas uma coisa tenho que dizer: eu entendia claramente os (ou alguns dos) objetivos dele à frente da seleção. Discordava frontalmente de quase tudo, achava o trabalho terrível, mas pelo menos existia um projeto claro que eu pudesse me confrontar. E esse projeto ia além da equipe em campo, o que ficou evidente na complicada relação Dunga/seleção com a imprensa naquele período.

Retorno ao Mano. Sua estreia foi em agosto de 2010, e ele escalou um time que parecia dar mostras do que pretendia fazer no comando do Brasil. Era o 4-2-3-1, esquema do momento e utilizado por ele com muito sucesso na Corinthians. Relevo o tradicional 4 de trás e me atenho ao 2-3-1 do meio para frente, que é o que mais me interessa nesse momento; contra os EUA, Mano escalou Lucas Leiva, Ramires, Robinho, PH Ganso, Neymar e Pato. Ou seja, um time com muita força ofensiva e de grande movimentação.

Lucas como primeiro volante, marcador forte, mas não só isso; um jogador que sabe o que fazer com a bola no pé (função que executava muito bem no Grêmio do próprio Mano). Ramires, um segundo volante rápido, peça forte para transições velozes entre defesa e ataque. Ganso, é claro, o armador, o homem com a responsabilidade de dosar a velocidade com momentos de calma, de parar a bola, e também o homem com a capacidade de destruir qualquer retranca com um passe preciso. Robinho e Neymar nas pontas, dois jogadores velozes, agressivos, dribladores; atacantes jogando como pontas, com função de ir pra cima, de fazer gols (principalmente Neymar, excelente finalizador), mas também de marcar, coisa que Robinho andou fazendo muito bem. Na frente, Pato, desempenhando o papel de um centroavante referência que talvez não seja muito a dele, mas que sem dúvida valia a tentativa.

No segundo jogo, contra o Irã, Mano fez uma série de testes, mas manteve a postura do time, que começou com Robinho, Carlos Eduardo e Philippe Coutinho formando o 3 criativo. Em seguida (contra a Ucrânia), prestes a enfrentar a Argentina, nosso técnico colocou Elias para jogar ao lado de Carlos Eduardo e Robinho, com Pato no ataque. Aparecia o primeiro sinal de que as certezas de Mano, tão fortes no discurso, estavam prestes a desmoronar em campo. Os volantes começavam a dominar o setor criativo da equipe.

Já contra a Argentina, Mano surgiu com uma mudança surpreendente no esquema: o time entrou sem o centroavante referência, com Ronaldinho, Neymar e Robinho formando o trio mais ofensivo. A manutenção de Elias no time – formando uma trinca marcadora com Ramires e Lucas – dava a impressão de que Mano estava achando o esquema da equipe muito pouco confiável sem a bola. E aí vem a contradição: a escalação de Ronaldinho. Há sentido em mudar todo um esquema para ter Ronaldinho, que não marca ninguém, como titular? Sem dúvidas, acho que não.

Então, o time que se apresentou inicialmente no tal 4-2-3-1, com Mano discursando claramente sobre a importância de se marcar saída de bola, de valorizar sua posse com muito toque no campo ofensivo e tendo uma referência clara no ataque, surge sem nenhum homem de armação e sem nenhum centroavante. Realmente o porquê desse time ter começado o clássico sul-americano é um eterno enigma para mim. Nos jogos seguintes, algumas variações no time, mas sempre com um jogador mais marcador (Elano, Hernanes…) além dos dois volantes.

Aí veio a primeira competição oficial, a Copa América, e com ela a volta do mesmo time da estreia de Mano contra os EUA. E eu pergunto: como assim? Eu sei que o Ganso até então estava machucado, mas a minha questão é maior do que isso, é sobre a forma e a filosofia de se armar um time. Por que, afinal, essas idas e vindas? E assim seguiu a Copa América com esse esquema tático (o inicial – em discurso e na prática – do trabalho de Mano). Com a eliminação, depois de várias exibições ruins, muitas críticas, muitos questionamentos.

E depois disso, Mano revelou enfim seu maior problema: a falta de convicção. Nosso técnico parece que ficou com medo. Medo de ser criticado, de perder, de ser despedido, sei lá. Mas o time brasileiro que entrou em campo no jogo seguinte, contra a Alemanha, foi uma vergonha. Parecia uma equipe muito mais fraca, temendo uma goleada; postura defensiva, três volantes (e, dessa vez, três volantes mesmo, nada de um jogador com maior poder de marcação fazendo o meio) – Fernandinho, a novidade, só estava em campo para marcar. E, novamente, a seleção estava sem armador: Robinho, Neymar e Pato ficaram com a responsabilidade de tudo no ataque. E daí pra frente manteve-se o esquema do 4-2-3-1 com um jogador marcador no tal do 3.

A minha impressão é que Mano não sabe o que fazer sem contar com Ganso em boa forma e jogando bem. Também não sabe o que fazer com Ronaldinho, que ele insiste em escalar, mas que claramente não tem lugar no time que Mano disse que montaria na seleção. O técnico, na tentativa de agradar a muitos, acaba sem postura, sem pulso. Acaba sem nada.

Sempre discordei frontalmente de Dunga porque acho que o resultado obtido pela seleção é menos importante do que aquilo que ela representa pro futebol. O que se estabelece, o que se constrói ali, vai muito além de ganhar ou não uma Copa do Mundo. Dunga quis montar um exército fechado e moral, apostando na crença de serem os escolhidos para vencer. Mano não sabe o que está fazendo. Ou melhor, não sabe por que ou para que está fazendo. Parece que o objetivo da seleção, hoje, é ganhar o próximo jogo, garantir os três pontos. E isso, sinceramente, não faz o menor sentido.

Guarani e o interior paulista

O futebol fica mais sem graça sem a força do interior

Os times do interior hoje em dia não assustam mais nenhum grande. Afirmações como essa são muito comuns, principalmente quando se trata dos campeonatos carioca e paulista. E parece que, ano após ano, ela vai ficando mais certeira, mais inquestionável. Há um processo muito preocupante acontecendo no futebol brasileiro, que tende para um abismo cada vez maior entre os gigantes do nosso futebol e os times de médio e pequeno porte. A motivação, é claro, é majoritariamente econômica. E a forma como ocorreu a negociação dos direitos de TV com a Globo é uma evidência muito forte disso. Não há nenhuma organização entre os clubes, que se deixam levar pela CBF e pelas Organizações Globo em troca de benefícios individuais, sem pensar na importância do crescimento conjunto das competições e dos clubes, fundamental para o crescimento também do público. Talvez aconteça por aqui o que acontece na Espanha. No Brasil provavelmente com mais de dois times, mas, de toda forma, com alguns poucos dominando quase tudo. Eu acho lamentável.

Indo especificamente ao Campeonato Paulista, o que vemos é um enfraquecimento geral dos times do interior. A gente sabe, mesmo quem não vivia pra ver, que antigamente havia uma força do interior paulista. Jogar em certos estádios, certas cidades, não era fácil pra nenhum grande. Essas equipes menores possuíam muita identificação com sua torcida, que comparecia aos jogos. Hoje os jogos no interior estão completamente esvaziados; quando um grande vai jogar acontecem aberrações como ingressos a 80 reais, numa tentativa totalmente atrapalhada e desrespeitosa dos dirigentes locais com seus torcedores. Além disso, há a questão da enorme rotatividade de jogadores; os times do interior paulista normalmente são montados para cada campeonato, com muitos atletas utilizando aquela disputa como vitrine para estar num time da Séria A ou B do Brasileirão. Essas e outras coisas impedem que os times do interior tenham aquele espírito que consegue superar a diferença técnica; não há identificação com o time, a cidade e a torcida, não há entrosamento e, consequentemente, não há crescimento como equipe.

Assim, fica cada vez mais raro um time como o Santo André de 2010, que jogava muita bola. Era um futebol bonito, comandado por Bruno César, com muita velocidade e técnica, sabendo ser ofensivo. Essa equipe, vale lembrar, ficou muito perto de vencer, na final, aquele Santos (comandado por Dorival Jr., com Neymar, PH Ganso, Robinho, Wesley, André), que encantava todo mundo em grandes exibições e goleadas históricas. Atualmente, parece muito mais provável que um time menor que consiga certo destaque seja porque jogue como o Guarani de Oswaldo Alvarez, que vemos (pelo menos por enquanto) em boa posição no Paulistão 2012. Ou seja, um time muito bem armado em campo, onde cada um cumpre muito bem sua função, sem muitas improvisações e com muita solidez do meio pra trás.

Falemos então do Guarani. O bugre tem segurança com seu bom goleiro Emérson e uma zaga supreendentemente sólida com Domingos e Neto. Nas laterais, jogadores que compõem bem a defesa e sabem marcar, mas que também aparecem bem no ataque, quando necessário, para possibilitar triangulações e jogadas de linha de fundo, principalmente com o experiente Bruno Recife, pela esquerda, que é um bom cruzador. Na direita, destaco o jovem Bruno Peres, que parece ter potencial.

O meio começa com Bruno Neves e Wellington Monteiro, o primeiro mais estático, dando uma segurança defensiva para a equipe, e o segundo com mais liberdade para aparecer como elemento surpresa no ataque e chutar de longe, fundamento que domina com qualidade. Mais à frente, caindo pela esquerda, aparece o grande organizador do time, Danilo Sacramento. É com ele que nascem as jogadas mais interessantes do Guarani, principalmente quando Wellington Monteiro e Bruno Recife aproximam, apresentando possibilidade de triangulações curtas e rápidas, fundamentais para abrir espaço na defesa adversária num time com pouca habilidade individual. Fabinho, atacante veloz, cai também pela esquerda, dando agilidade e aumentando o volume ofensivo do time. Do meio pra direita fica Fumagalli, jogador veterano que nunca foi exatamente muito dinâmico. Sua maior importância, nessa equipe, é a bola parada, que, como sabemos, pode não ser pouca coisa. Completa o time Ronaldo, referência ofensiva dentro da área.

Devo dizer que não vi vários jogos do Guarani, mas parece que o time não foge muito dessa estrutura. E não é difícil constatar que Vadão faz um ótimo trabalho, mas sem ir muito além do básico, da cartilha de um time, digamos, acertadinho. E, por tudo o que disse no início, acho que isso é mais uma consequência, uma condição imposta pela forma como a montagem de um time do interior se estruturou, do que pela ideia de bom futebol do técnico e seus jogadores. Que esse Guarani seja forte e que possa ir longe é incrível, mas a vontade de ver um interior menos pragmático, com mais emoção e força da torcida, está aqui, e cada vez mais carente.

Bulgarelli, sempre con noi!

Estádio Renato Dall'Ara

Estádio Renato Dall'Ara

Ir a um estádio de futebol pode ser uma coisa mágica. E, sinceramente, acho que isso independe de haver em campo um time para o qual eu torça. Há algo místico, inexplicável; algo extremamente envolvente, emocionante. Quando você dá por si, a imparcialidade já está além do portão de saída, ficou pra trás. E quando isso acontece, é sensacional, uma das grandes experiências que alguém pode viver.
Claro que essa catarse emocional não é algo corriqueiro, acontece apenas vez ou outra.

E foi o que ocorreu no dia 19 de fevereiro de 2011, há pouco mais de um ano, em Bolonha, na Itália. Era um jogo, digamos, qualquer; não havia nada de grandioso envolvido, apenas um desespero crescente da torcida do Bologna, que via seu time cada vez mais próximo da zona de rebaixamento. O jogo era em casa contra o Palermo de Sirigu (hoje no Paris Saint Germain), Nocerino (no Milan) e do ídolo Javier Pastore (hoje também no time francês), e a vitória era fundamental.
Eu havia chegado naquele dia à cidade e ainda não sabia a grande simpatia que desenvolveria pelo lugar. Fui, assim que pude, ao Tabac mais próximo (aquelas lojinhas, originalmente tabacarias, mas que funcionam como pontos de venda de diversas coisas de utilidade pública) e comprei o ingresso pro jogo. Ingresso simples, meio caro e nominal; todo ingresso comprado na Itália é nominal e, quem vende, registra o número do documento do comprador – a medida, contou-me o vendedor, foi, claro, pra ajudar no combate a violência nos estádios. Na  hora da compra, escolhi, por acaso, sentar na Curva Bulgarelli. Bendita escolha!

Cheguei no estádio cedo, ainda muitos lugares vazios. Logo que escolhi onde sentar (lá, como cá, ninguém respeitava o lugar marcado no ingresso – confesso que a minha simpatia só aumentava), vi a grande bandeira com a imagem e o nome: Giacomo Bulgarelli. “Opa, a Curva”, pensei. Foi o primeiro friozinho na barriga; o primeiro indício de que aquele lugar, aquela torcida e aquele nome, Bulgarelli, não tinham nada de comum.

A torcida foi chegando, não em número suficiente para lotar o estádio, mas com paixão de sobra pra empurrar aquela equipe pra cima de qualquer adversário. E o estádio começou a aquecer: vieram alguns rocks clássicos, os jogadores anunciados pelo locutor e saudados pelos torcedores (com menção especial a Il Capitano Marco Di Vaio), a entrada em campo ao som de uma verdadeira canção dramática italiana. A partida começou e, ainda nos primeiros minutos, aconteceu a coisa mais incrível que presenciei de uma torcida num estádio de futebol: era uma falta pro time da casa, alguns torcedores começaram a pedir com gritos e gestos para todos levantarem. A torcida atendeu imediatamente ao pedido; eu, ainda tentando entender aquela lógica, ainda inocentemente imparcial, hesitei. Logo um torcedor insistiu e eu, claro, levantei. Aí veio o grito, em uníssono, cheio de vida, cheio de paixão: BULGARELLI SEMPRE CON NOI! Um instante de silêncio, tempo perfeito pra sentir um frio na barriga de verdade. Fiquei meio abismado, olhando aquele acontecimento maravilhoso do qual eu estava fazendo parte. E veio novamente: BULGARELLI SEMPRE CON NOI! Ainda meio assustado, meio fora do tempo, meio sem saber o que eu falava, gritei junto.

Giacomo Bulgarelli – em seus 16 anos de carreira, atuou apenas por dois times: Bologna FC 1909 e seleção italiana. É o maior ídolo da história do clube e representa o último momento de glória da equipe da Emilia-Romagna. Com Bulgarelli, o Bologna (e com Renato Dall’Ara, que dá nome ao seu estádio, na presidência) conquistou seu último título da Serie A, em 1964. O jogador, com a seleção, esteve nas Olímpiadas de 1960, nas Copas de 1962 e 1966, e na Eurocopa de 1968.

O jogo, tecnicamente, não foi bom. Aquela coisa truncada típica do campeonato italiano. As jogadas não davam certo para ambos os times, mas a torcida voltou pro segundo tempo apoiando ainda mais. Era como se pegassem os jogadores e os empurrassem pra cima dos adversários sicilianos. Foi uma etapa final agoniante, eletrizante. Estar no meio daquela Curva era estar no melhor lugar do mundo. E, como não podia ser diferente, no minuto final veio o gol. Empurrados, embalados, carregados pela torcida, os jogadores rossoblues arrancaram a vitória na marra, numa bela cabeçada de Daniele Paponi. O estádio explodiu em pulos, gritos, bandeiras e abraços!

 

Um pouco do que eu vi e ouvi.

The Strongest vs Santos

O dia de ontem, 15 de fevereiro de 2012, me pareceu um tanto quanto preocupante em relação ao sucesso dos times brasileiros na Libertadores. Foram três jogos contra equipes expressivamente mais fracas e nenhuma vitória. Me atenho um pouco ao Santos, que teve momentos horrorosos, mostrando que hoje, como equipe, está muito fraco. E não falo isso só pela derrota, não, mas sim pelo que foi o jogo e pela fragilidade do adversário. O The Strongest é um time muito ruim, mas muito ruim mesmo; tem muito time no interior paulista melhor. Apesar dessa fraqueza, mas também por conta dela, o time boliviano entrou no jogo com disposição e intenção de marcar. A clareza de que sua única possibilidade de classificação é pontuando o máximo possível em casa, na altitude, é certeira e inevitável. Então, a ordem ali era chutar a gol. O time até que tocava a bola, chegava próximo a área santista, mas faltava capacidade pra dar aquele famoso último passe. Então, a finalização meio forçada acabava sendo opção. Quando era com Pablo Escobar, até que levava algum perigo.

A estratégia e sua forma de aplicação pelo time do The Strongest foi completamente compreensível e correta. O que assusta, e merece ser destacado, é como o time santista deixou isso acontecer tranquilamente durante boa parte do jogo. No primeiro tempo, os atuais campeões da Libertadores foram dominados quase por completo. Não era raro reposições de jogo santistas que permitiam a volta do domínio de bola pelos adversários em poucos instantes. E os bolivianos conseguiam tocar a bola e chegar constantemente em posição de finalização. A nulidade do meio de campo do Santos vem sendo uma constante. Arouca, Henrique e Ibson pareciam não ocupar o campo. Havia sempre muito espaço. Era tanto espaço, tanta liberdade, que um time de técnica limitadíssima conseguia dominar o setor. Sem esquecer, claro, da defesa, antigo problema. A linha formada por Pará, Edu Dracena, Durval e Fucile não conseguia ser nada combativa e estava sempre mal posicionada. Isso sem falar em lances como o do primeiro gol boliviano, uma sucessão de falhas da defesa brasileira.

Dentro desse caos tático, destaco o Paulo Henrique Ganso, que esteve mais presente no jogo, pedindo bola e distribuindo bem o jogo com ótimos passes. Neymar, como de costume, também jogou bem. Durante certo período do segundo tempo, inclusive, o Santos dominou o jogo e parecia prester a golear seu adversário a qualquer momento. Esses dois jogadores foram, por puro talento individual, os responsáveis por esse momento. Neymar abusou dos gols perdidos, é verdade, mas isso acontece. O que não é normal é a forma como Muricy parece insistir em fingir que não há um problema crônico do meio pra trás. Há de se ressaltar, também, o fato de que alguns jogadores importantes para o time, e revelações da base, saíram nas últimas janelas de transferências . É o preço a ser pago para manter Neymar. Ele fica, e isso é sensacional, mas muitos em volta se vão. Adriano, machucado, é um jogador que ainda será muito importante para arrumar o meio desse time.

Saindo um pouco do jogo em si, falo de sua transmissão. No Brasil, foi exclusividade da Fox Sports, ou seja, quase ninguém viu. Mas a questão é a seguinte: essa transmissão foi horrível. E falo em termos técnicos. A imagem estava deformada, como quando se exibe algo originalmente em janela 16:9 espremido para caber no 4:3. Isso é algo que começou a acontecer por conta das transmissões simultâneas digital/HD e analógica. Mas é um absurdo. Não consigo entender como algo fica quase duas horas no ar e ninguém repara. Ou, se repara, por que não é melhorado ou, pelo menos, que se avise o motivo do problema. Mas, voltando ao caso de ontem, não sei se era exatamente isso o que ocorria. Havia algo de esquisito na deformação, em algumas câmeras ficava uma sensação de estranhamento em relação a perspectiva da imagem. E a definição, a nitidez, durante todo o tempo foi, também, bastante ruim.

O entrepasso

Era dia primeiro de fevereiro de 2012, uma quarta-feira. Eu voltava pra casa à noite e conferia no relógio que daria tempo de assistir aos dez ou quinze minutos finais do confronto entre Flamengo e Real Potosí, pela pré-Libertadores. Mas, sendo sincero, meu interesse no jogo era bem pequeno; claro que a ideia de chegar em casa e ter um joguinho pra ver é sempre bacana, mas minha animação não ia muito além disso. É provável que minha maior curiosidade fosse acompanhar a transmissão da equipe da nova Fox Sports pelo FX.

Estava há pouquíssimo tempo em frente a TV, quando, num ataque rubro-negro, Negueba desperdiçou um lance ignorando a presença de Ronaldinho livre pelo outro lado do campo. A transmissão imediatamente cortou para um plano próximo ao jogador, que fazia caretas, reclamava e gesticulava explicando o que seu jovem companheiro deveria ter feito: passar pra ele, claro. Passaram-se alguns minutos e, novamente, o Flamengo desperdiça um ataque onde a bola não chegou nos pés de seu craque maior. E lá foi a transmissão buscar Ronaldinho indignado, impaciente, querendo bola. É claro que a busca pelo plano próximo de Ronaldinho é algo quase obrigatório, ele é a estrela; e ainda havia todo o caso Flamengo/Traffic/salários. Mas aquela câmera, aquelas imagens, pareciam prever algo; pareciam suplicar para que a bola chegasse nele. Algo como: “não temam, não hesitem, dá no cara que ele resolve”.

Lá se foram mais alguns minutos mornos. O Potosí, precisando de um gol, vai a frente e deixa alguns espaços. Surge a oportunidade do contra-ataque rubro-negro. Léo Moura recebe a bola na direita e vê Ronaldinho na esquerda. Entendendo o que estava acontecendo, sabendo o certo a fazer, o experiente lateral direito inverte o jogo imediatamente. É um passe certeiro, mas alto e com força, uma bola difícil de se receber. O que se espera de um grande jogador? Que o difícil se torne fácil; a expectativa ali era de um belíssimo domínio, aquela bola que, por um instante, parece dormir colada à chuteira – matadas como as que Rivaldo fazia no seu auge catalão. E era exatamente isso que Ronaldinho pretendia fazer.

O que se espera de um craque? O inesperado. O domínio de bola não deu certo, não saiu conforme mandava o script. A bola dormiu, mas não pelo instante suficiente. Ela não voltou a quicar, ficou no chão, mas deslizou e perdeu contato com o pé do craque. A partir daqui, pensemos nas reações dos envolvidos no lance. Na hora em que a bola se aproxima do pé de Ronaldinho livre, o zagueiro mais próximo ao lance hesita. Sua reação parece evidenciar sua dúvida sobre o que fazer; ele sabe que Ronaldinho vai dominar a bola como ninguém e fazer o gol. O goleiro reafirma a ideia. Ele já se adianta em direção a linha da pequena área, tentando diminuir o ângulo para a finalização iminente que está por vir. Porém, o pequeno erro de Ronaldinho desmonta as dúvidas e certezas dos dois defensores. A bola escapou e é hora de dar o bote, diminuir o espaço. O zagueiro dá um pique pronto para o desarme e o goleiro vai em direção ao lance, também pretendendo abafar a bola. Ronaldinho não hesita nem por um instante. Como se tudo estivesse planejado, ele dá alguns pequenos passos em direção a bola, acertando a posição de seu tronco e a posição de seus pés. No meio daquele movimento, num instante imprevisível, num instante quase impossível, ele muda de direção. A bola, já completamente sob seu domínio, obedece milimetricamente. O zagueiro, claro, não acompanha e é atravessado pela pelota. O goleiro, sem entender exatamente o que havia acontecido, fica ali pelo meio do caminho sem saber pra onde ir. O canto esquerdo fica aberto e o gol se torna (como sempre parece ter sido) inevitável.

 

Esse lance me remete ao dribe de Neymar sobre Ronaldo Angelim em seu gol antológico contra o próprio Flamengo. E, nesse caso, uma lance muito mais difícil, mais vistoso, já que em velocidade e passando por vários adversários. Neymar chegou frente a frente com Angelim após um toque de direita que o livrou de seu perseguidor. O zagueiro flamenguista se postou para impedir o avanço do santista, mas o jovem craque tocou novamente a bola com a sola do pé direito, rolando-a em direção ao esquerdo que, naquele semi-instante, a adiantou com perfeição, deixando Angelim de braços abertos, como se a situação estivesse sob controle e fosse impossível Neymar dar prosseguimento ao lance. Não havia tempo aparente para esses dois toques na bola. Esperava-se mais um passo, mais um instante. Mas, entre eles, existe o craque.

 

E é aqui que vive a diferença entre o bom, até o grande jogador, e o craque. O grande jogador faz coisas belíssimas; lindos voleios, bicicletas perfeitas, grandes lançamentos, lances dignos da mais bela placa. Mas, com o craque, vive o imponderável. O erro se torna apenas mais um elemento da obra-prima final. Vemos um novo instante surgir num movimento que nossos olhos mal conseguem assimilar. O craque é aquele que desafia as leis da física e não joga no passo, como um simples mortal; ele cria no entrepasso.

Pra não perder a oportunidade, ressalto também o segundo gol de Messi contra o Santos na final do mundial interclubes. A bola vem da esquerda para Messi que se projeta em velocidade rumo ao gol. O passe é forte e um pouco atrás em relação ao rápido movimento do craque argentino. Com o pé esquerdo, Messi como que  engancha e puxa a bola para o trilho e ritmo de seu movimento. Porém, o toque parece forte demais e a bola se desgarra. Não há passos suficientes para Messi chegar antes do goleiro santista, que sai assertivo em direção a bola. Mas o que parecia um erro, revela-se uma isca e aparece esse instante quase ficcional, mudando a direção da bola e fazendo Rafael passar reto, vendido. E o gol surge completamente aberto e convidativo para o melhor jogador do mundo.

 

Campeonato Paulista – o início

Jogadores do Comercial comemoram gol no clássico Come-Fogo

Todos conhecemos aquele papo de que é começo de temporada, não vale muito, vários times utilizam o começo de estadual como uma autêntica pré, jogando com times reservas. Concordo que tudo isso faz sentido, mas acho que esse início aponta certas coisas ou, no mínimo, mostra fatos que dizem por si só.  São jogos e, acima de tudo, é futebol.

Paro agora e penso: “fico eu aqui me explicando por fazer um texto sobre o estadual”. Isso, claro, diz muito sobre a minha relação com o campeonato, mas acho que diz também sobre a credibilidade que os estaduais têm hoje. Aí voltamos às questões que já foram discutidas por aqui num podcast: o problema que esses campeonatos são no calendário de vários times, os diversos erros de formatação, o assassinato de times pequenos e tradicionais do interior do país, o surgimento de times de empresários apenas interessados em negociar jogadores. Mas nada disso elimina o futebol.

Vamos então ao Paulista em seu início de disputa. Logo de cara, gostaria de destacar o clássico Come-Fogo. As duas equipes de Ribeirão Preto, Comercial e Botafogo, não se enfrentavam na primeira divisão há mais de duas décadas; o público (8 mil pessoas) foi um pouco decepcionante, mas as rivalidades regionais são fundamentais e, sem dúvida, se esses times continuarem se enfrentando em disputas interessantes e valorizadas, esse público será muito maior em pouco tempo, como já foi em outros momentos. São esses jogos, a existência de diversas rivalidades, que sustentam um campeonato e levam torcedores aos estádio; não apenas a presença de grandes times e jogadores.

Vale destacar também, nesse sentido, o Guarani vs Ponte Preta, que será, como sempre foi, um clássico quente. Apesar de hoje a Ponte estar bem mais forte que seu grande rival. Mas clássico é clássico e vice-versa. A ideia de que clássico envolve tradição, rivalidade, proximidade e não apenas times grandes, jogadores estrelas e disputa de título é fundamental. Voltando à Macaca, acho que ela e a Portuguesa, hoje, completam o top 6 do Paulistão, após os times mais conceituados.

O Mogi Mirim surpreendeu no início, mas acho que não segura a onda. O Comercial parece ter um time seguro e pode brigar pra se classificar. O Linense é outro que tem uma boa equipe, sabendo tocar a bola e criar algumas chances de gol. Mas o destaque entre os pequenos, sem dúvida, é o Paulista. O time de Jundiaí, treinado por Sérgio Baresi (que fez um grande trabalho nas divisões de base do São Paulo), vem jogando com autoridade dentro e fora de casa. Estreou vencendo a Portuguesa, no Canindé, por 2 a 0. Em seguida, em casa, uma bela vitória por 3 a 0 sobre o Comercial. Aí veio o empate com o time do Santos, que apesar de ter jogado com sua equipe reserva, não deixa de ser o time campeão da América. E ontem, mais uma vitória fora de casa, 2 a 1 sobre o Mirassol (que vinha montando bons times nos últimos anos). Destaque para o garoto Dener, emprestado pelo São Paulo, que vem jogando bem e fazendo gols.

Dos quatro grandes do estado, nada muito surpreendente por enquanto. O Santos, como comentado, vem jogando com um time completamente reserva (os titulares jogarão hoje, contra o Oeste, pela primeira vez). E time reserva não tem como ser analisado. No Corinthians, talvez o que mais surpreenda seja a total falta de qualquer surpresa. A máxima “em time que está ganhando não se mexe” foi levada muito a sério. É o mesmo Corinthians que terminou o ano passado, muito bem organizado, muito metódico e muito chato de assistir. Acho que as chances de, digamos, dar certo no Paulista e no Brasileiro são grandes, mas Libertadores é outra história. Creio que o tal pedido de vibração do Tite vem dessa noção. Mas quanto de culpa tem ele próprio nisso? Muita, eu diria.

O Palmeiras continua sem conseguir a mínima confiança de que brigará, de fato, por algum título. Valdivia fez umas boas jogadas, já surgindo novamente como esperança; e aí novamente se machucou. Sei não. No ataque cria-se pouco e ninguém sabe finalizar bem e com regularidade. A super dependência de Marcos Assunção, um volante de 35 anos que se destaca apenas nas bolas paradas, beira o surrealismo para um time que pretende ser campeão de competições importantes.

O São Paulo, como torcedor, foi o time que acompanhei com mais aplicação. A mudança que chama mais atenção, em relação ao ano passado, é a postura do time, agora ofensiva, com um Fernandinho diferente, mais objetivo, mais finalizador. Essa mudança no de Fernandinho é fundamental se a pretensão for tê-lo como o substituto de Dagoberto no time titular. Mas tem a defesa; uma calamidade até agora. A quantidade de vezes que os adversários têm chegado com maior número de atacantes é impressionante. E as bolas aéreas, assim como ano passado, são um Deus nos acuda. João Filipe é alto, mas não tenhum nenhuma noção de tempo de bola e também não sabe se posicionar na bola aérea para dificultar a cabeçada do atacante; , ele nunca chega junto usando o corpo na dividida. Foi de titular a quarta opção. Rhodolfo é bom, mas não dá conta de segurar a bronca sozinho, e não me parece, também, um bom organizador de defesas. O Edson Silva tem se destacado bastante nas bolas aéreas ofensivas, mas ainda me parece um pouco perdido no posicionamente defensivo. O meio de campo precisa ajudar mais na marcação e evitar as perdas de bola naquele setor para as jogadas adversárias não chegarem tão redondas na área são-paulina. O Lucas, apesar de ter sido decisivo em dois jogos, vem errando muito. Tudo bem, ele tem chamado jogo e isso é bom, mas a quantidade de passes e dribles que não dão certo precisa diminuir. E o time realmente precisa de alguém que pense e distribua o jogo. Cícero não é o cara pra fazer isso. Todos esperam que o Jadson assuma a responsabilidade, mas um outro jogador me surpreendeu nas vezes que entrou. Maicon, que veio do Figueirense, mostrou ter muita noção do jogo, sabendo segurar e distribuir a bola, pensando bem no que acontece e no que precisa ser feito. Pra mim, nesse momento, seria titular.

Apesar de todos os problemas, o Paulistão continua sendo o estadual com os melhores times pequenos do país, o que proporciona bons jogos entre grande e pequenos e alguns jogos emocionantes e divertidos entre os times diminutos. Eu, por exemplo, aposto num belo jogo entre Paulista e Ponte Preta, e lembro do exemplo do Comercial 3 vs 4 Linense na primeira rodada. Mas acho também que os times do interior precisam parar com essa palhaçada de cobrar preços absurdos nos jogos contra os grandes e se atentar mais para sua torcida. Esse ganho de dinheiro imediato, que parece tão fácil, pode se revelar um belo tiro no pé. E deixo claro que nenhum dos méritos que vemos no campeonato é responsabilidade da Federação Paulista, muito pelo contrário.