EUA 2 – 1 Gana

Bradley, o Lex Luthor, líder do meio-campo do EUA

Bradley, o Lex Luthor, líder do meio-campo do EUA

Defesa? Ataque?

A história desta partida decisiva para seu grupo, especialmente após o sacode que Portugal levou contra a Alemanha, mudou com poucos segundos. Mas é necessário entender um pouco mais sobre os times. A equipe de Gana chegou com algum favoritismo entre jornalistas, fruto de suas últimas ótimas campanhas e o elenco bem experiente que carrega. Os EUA de Klinsmann não são assim um time tão experiente, mas carregam alguns pilares (Dempsey, Bradley, Howard) que o sustentam. No duro, ambos os técnicos gostam de jogar com marcação dura, apertando na frente, e saindo em velocidade. O jogo começa a ser dificultado para Gana quando o treinador faz opções duvidosas de escalação. Kevin Prince Boateng, outrora tratado como estrela, fica no banco. Nos instante iniciais, o time conservador de Klinsmann faz jogada veloz e Clint Dempsey bate no canto. Gol. O jogo basicamente começa para Gana com um placar ruim. O que seria do time do técnico Appiah?

Os EUA postam brilhantemente os atletas em campo, mostrando-se preparados para isso. É Gana quem tem a posse, tendo de se virar para criar contra um time defensivo. A boa atuação dos defensores torna as ideias de Kwandro Asamoah, Muntari, Andre Ayew, Atsu e mesmo Gyan, notório homem de área, limitadas. Pouco se faz, pouco se vê. Os americanos sofrem baixas por lesão, mas dominam o jogo, com o ótimo Bradley conduzindo o time, evitando a marcação sobre pressão, e abrindo o jogo. Gana não conseguia tomar a bola quando não a tinha, ficando com ela boa parte do tempo sem espaços.

Ai vem a pausa e as coisas mudam. Gana retorna muito parecida com a equipe que se acostumou a ser, mais audaciosa, mesmo que os americanos seguissem, liderados pelo brilhante Jermaine Jones, destruindo tudo. Mas ainda assim se via principalmente Asamoah e Atsu criarem, abrindo espaços. André Ayew estava quieto, perdido no meio. Jordan Ayew, seu irmão, não apareceu pro jogo. Prince veio em seu lugar. O impacto foi rápido. Trocas de passes começam a sair, Asamoah cresce ainda mais, Gyan dá um passe lindo de calcanhar e Amdré Ayew aparece no jogo. Gol. Faltavam cerca de doze, trezes minutos. Os americanos pareciam quebrados, exaustos. Bradley sumira do jogo, Jones o pulmão do time só sabe destruir e na frente arriscava chutes tortos. Klinsmann tenta uma última cartada, colocando um jogador descansado. Do outro lado, Gana pressiona, segue chegando, a defesa cada vez mais frouxa. No lance seguinte, o zagueiro e capitão de Gana comete um erro bisonho, quase faz pênalti, cedendo um escanteio. Brooks, zagueiro novato que entrou no intervalo no lugar de um dos lesionados, coloca pra dentro. Que vitória americana. O futebol é incrível. Gana atacou todo o jogo, com pouco sucesso. Os EUA defendeu, como pôde, com algum sucesso. Atacar ou defender? Cada equipe com seu estilo, sua bola. O azar de Gana é que seu time é do mesmo estilo dos americanos. E há quem diga que é sorte, pelo momento do gol nos últimos instantes. Como diz um famoso treinador: isso é trabalho, e erga-se um busto para Jermaine Jones caso os EUA avancem.

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França 3 – 0 Honduras

 

Benzema, Valbuena, Grriezmann, Evra e outros: boa estreia

Benzema, Valbuena, Griezmann, Evra e outros: boa estreia

Jogo disputado, um pequeno massacre francês. Mas o que pode se afirmar? Que a aposta em Antoine Griezmann para o lugar de Ribéry foi boa, o ponta do Real Sociedad fez ótimas jogadas, se movimentou bastante, deu passes e dribles. Valbuena segue firme como o patinho feio essencial ao time, um motor. Durante parte do jogo, a França só conseguia atacar de deu lado. O trio do centro foi menos bem, mas pode ter guardado seus melhor futebol para frente.

Karim Benzema foi um caso a parte. Jogando a frente, fez um primeiro tempo lento e desinteressante. No segundo tempo, passou a se movimentar, se envolveu mais com o jogo, provocou o segundo gol, fez o terceiro e brilhou. Nem se quer foi sacado para a entrada de Giroud.

O que é incontestável é que Honduras é um time fraco, abaixo de um nível mais forte, que represente algo. E que teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo, inaugurando o placar para a França. E que foi o Palacios, jogador mais experiente e rodado na equipe. Verdade que discordo de muitos, que julgam um erro. Ao meu ver, era um lance claro de risco de gol, e o Palacios acerta com muita força as costas do Pogba. O mesmo jogador com quem trocou agressões antes. O segundo amarelo me parece justo, assim como a penalidade.

Não houve testes a defesa. Varane quase entregou um gol a Honduras no fim,, por falta de seriedade no jogo. Interrempeu uma bola de sair de escanteio, a permitindo ser alcançado por um atacante adversário. Erro que pode terminar derrubando-os em outro jogo.

O que será da França?

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Antoine Griezmann, aposta de Deschamps.

Há instantes do começo de França – Honduras, a partida que inicia a jornada da França, traço aqui as curiosas possibilidades que este talentoso grupo possui. Frank Ribéry está fora da Copa, com lesão séria nas costas. Sem sua referência maior na meia-esquerda, o time se reconstrói. O trio central é multi-funções, Paul Pogba, Yohann Cabayé e Blaise Matuidi. Pogba é ótimo marcador na Juventus, e vai crescendo taticamente. Cabayé é brilhante armador, tem visão, inteligência. Matuidi controla o ritmo, a velocidade e pegada do time.

Por tanto, Ribéry não é chave para a tática da França. Deschamps, seu treinador, confia no triangulo central para que o time tenha um motor. Talvez por isso desinteresse tanto pelo Nasri, um jogador cujo história demonstra ser instável e superestimado. Não justifica que esteja fora, do ponto de vista técnico, mas é compreensível. Valbuena, o baixinho do Olympique de Marselha, é um bom motor pelas pontas, cortando para o centro também. Benzema pode atuar tanto com Giroud, quanto com outro homem na ponta. A escolha de Deschamps foi deixar Giroud na reserva, e sair com Griezmann, uma das fortes relações do bom time que formou na temporada passada o Real Sociedad, junto com Seferovic da Suiça, que estreou mudando o jogo contra Equador. É um ponta clássico, de boa técnica.

Mas será que isso bsta? Porque o que assombra a França nem é o talento. Em 2010, havia talento de sobra. Há bons zagueiros, um excelente goleiro Hugo Llloris. Por que a França não deslancha, nem na Euro nem em Copa desde Zidane? Me parece uma questão de estima.

Analisemos a partida.

Uruguai 1 – 3 Costa Rica

Uruguai 1 – 3 Costa Rica

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O jogo que mais surpreendeu a todos na rodada inaugural, fez-se ver um Uruguai abatido, incapaz de se impor em campo. Salvo momentos ocasionais, a Costa Rica foi superior tanto na disposição quanto na parte técnica. Sem a referência de Suarez, Cavani jogou no centro, o que considero sempre ruim. Cavani faz um bom papel de segurar os laterais, tem raça, disciplina. Acho que seria mais benéfico sair com Abel Hernandez na frente, sacando Forlan do time. Infelizmente o ex-craque não dá sinal de que a Copa teria um encanto no seu talento.

A Costa Rica merece aplausos por ser arrojada, não se apequenar. Triste ver que o Uruguai ficou feliz em fazer o gol no começo especialmente para se retrair. Assim a Costa Rica ganhou campo, pelos lados, no talento de Bryan Ruiz e na revelação da Copa, o Joel Campbell. A versão de Campbell vista na Copa América e no time olímpico parece distante da versão apurada que jogou. É apenas um jogo, mas a velocidade se aliou a técnica, ousadia. O goleiro Navas foi brilhante sempre que preciso e comprovou ser uma estrela em ascensão.

O que restou a Costa Rica é o que falta ao Uruguai. O coletivo, um envolvimento entre movimentação, interesse que quebra com uma monotonia. Já o Uruguai não é mais aquele time cheio de pegada, se apresentou molenga. Talvez apenas Stuani saia com méritos desse jogo. Maxi Pereira coroou o jogo perdendo a cabeça, Campbell chamou para a dança, ganhou tempo e Maxi o arrebentou no meio. Já é hora de Tabarez perceber que a insistência com ídolos que já não rendem pode tirar o bom grupo de jogadores de uma segunda fase possível, mesmo que esteja difícil agora. Forlan e Lugano tem de sair. Nem que adentre Coates na zaga, Caceres vá a direita e Alvaro Pereira na esquerda. Seria uma maneira de reformar a defesa, técnica e coletivamente. No meio, é questionável a presença de Arévalo, embora este ainda vejo na equipe. Forlan tem de sair. Cavani jogar na esquerda, Suarez/Hernandez no meio e Stuani na direita, vindo para o meio e trocando com o atacante. Falta um meia, que não é Cristian Rodriguez. Talvez com Maxi de volta, coubesse adiantar Pereira no meio. Falta criatividade.

Tudo o que sobrou para Joel Campbell e seus companheiros. Se a Costa Rica seguirá a revelação do torneio, não há como garantir, embora pareça óbvio que o time marcou seu estilo já nos clássicos da competição.

Brasil 3 – 1 Croácia

Oscar comanda vitória da seleção.

Oscar comanda vitória da seleção.

Apesar de um susto considerável, a seleção reagiu e demonstrou maturidade, ao contrário do que se diria. Evidenciou erros dos lados, especialmente Daniel Alves, que permitem bons ataques aos adversários. Ivica Olic brilhou em cima de Daniel muitas vezes. Talvez com Mandzukic, houvessem mais lances de gol para a Croácia, mas não vem o caso.

Neymar teve o brilho de assumir a individualidade, mesmo quando não ia bem, no segundo tempo, partia para cima, buscando ser decisivo. É verdade que sua cotovelada em Modric foi vergonhosa. O outro grande jogador do Brasil foi, certamente, Oscar. Brigando pelas bolas até o fim, foi decisivo em todos os lances que levaram o Brasil aos gols. Movimentou-se, jogando na direita parte do jogo. Hulk jogou pela esquerda, onde não rende tão bem.

Paulinho repetiu a atuação ruim que teve no amistoso da outra semana, me parece candidato a sair do time. Embora um jogador ótimo, não vem atuando bem recentemente e seleção saia muito mal a bola. David Luzi e Thiago Silva muitas vezes armavam.

Fred foi inútil ao time, que o viu como alvo poucas vezes. O fato de ter cavado um pênalti não me faz acha-lo melhor, só malandro. Ramires teve boa participação no último gol, roubando a bola, e me parece ideal para jogos que o Brasil está vencendo. Felipão foi bem nas mudanças, o time parece ter entrado no jogo bem focado, apesar dos erros individuais. Talvez a entrada de Ramires dê mais marcação aos lados, ou com Hernanes uma saída de bola de alta qualidade.

Notas:

Júlio César – 6
Dani Alves – 4
Thiago Silva – 6
David Luiz – 7
Marcelo – 5
Luiz Gustavo – 6
Paulinho – 4
Oscar – 8
Hulk – 5
Neymar – 7
Fred – 5

Hernanes – 6
Bernard – –
Ramires – 6
Felipão – 7

Destaques croatas:

Pletikosa – 6
Olic – 7
Modric – 6

Análise dos grupos

Grupo A

O grupo sobre o qual mais se discutiu aqui, por motivos óbvios. O Brasil sobra, com um time bem armado, referências defensivas e ofensiva, e um trabalho sólido. Jogando em casa, Não terá dificuldades nessa fase, mas terá que evoluir no torneio pra tornar-se hexa no país – é favorito, embora seja um trabalho árduo.

Croácia tem um bom time, baseado no talento de seus dois meias criativos., Modric foi um dos melhores do Real Madrid, grande campeão da Europa, e Rakitic o melhor do Sevilla, o grande campeão do segundo maior torneiro europeu. Mandzukic será bem municiado, formando um ótimo time a nível de primeira fase. Creio que seja superior aos outros coadjuvantes.

México teve uma eliminatória terrível, não fez por merecer sua vaga, jogou ano passado as Confederações com um time risível. Neste ano melhorou, com outro técnico, e atuações um pouco mais sérias. Ainda, é difícil prever seu time. Chicharito chega num momento até pior de sua carreira que em 2010, onde jogou a Copa vendido para o United.

Camarões tem um time mediano para fraco, com coadjuvantes úteis, como M’Bia. Seus melhores nomes são os mesmos de sempre, Samuel Eto’o e Alexandre Song. Há um ou outro jogador capaz de brilharecos, mas assisti alguns jogos recentes na preparação, e mesmo no empate com a Alemanha, isso ressaltou mais as dificuldades alemãs do que a qualidade do time africano.

Passarão: Brasil e Croácia
Gostaria que passassem: Brasil e Croácia.

Grupo B

Pouco a dizer sobre o quão difícil é o grupo que ninguém não saiba. A Espanha chega esfacelada, num período de reconstrução. Não há porque vislumbrar que este time será idêntico ao vencido pelo Brasil em 2013, embora aquele jogo tenha marcado como o final daquela era, onde venceram o mundial e o europeu duas vezes. Acredito que encontremos um Iniesta mais armador, Xavi no banco. Mas é difícil ter certeza, o time titular ainda é incerto, já que o técnico ainda está confuso. Não sei em que condições Diego Costa joga, é justo apontar que Sergio Ramos chega na melhor fase como um guerreiro no centro – mas alguém ganha a Copa com Sergio Ramos?

Holanda é outro time em remontagem. Mescla ótimos veteranos, como Robin van Persie, artilheiro das eliminatórias, e claro Sneijder, com figuras locais como Blind e outros defensores. É um bom time, e Ruud van Gaal é ótimo treinador. Mas também não é seguro afirmar que estarão numa contagem entre favoritos há ir longe.

O Chile é mais bem armado e preparado que as potências com quem brigará, no sentido de que Sampaoli já burilou mais a equipe do que os técnicos de lá, que mexeram muito na estrutura das equipes. Há bons jogadores, Vargas sempre está marcando, longe do jogador do Grêmio que esteve recentemente no campeonato local, tem meias experientes como Isla, e principalmente, Arturo Vidal, o craque da Juventus, um dos melhores meias da Copa passada, e o Alexis, que fez boa dupla com Neymar quando os dois jogaram juntos no Barcelona nesta temporada. Acho que chegam em alta, ambos os principais jogadores. O contra é ter menos talento espalhado em várias posições, especialmente na parte de trás. Não sei se consegue passar pela deficiência defensiva.

A Austrália não passará de fase, e torcerá pra roubar pontos dos melhores do grupo. É um time mala, envelhecido em parte, que entra para fazer duro os jogos contra os outros times. Passeia pelo Brasil com a intenção de se divertir.

Passarão: Espanha e Holanda
Gostaria que passassem: Espanha e Chile

Grupo C

Disparado aquele em que é mais complicado fazer classificações. O cabeça de chave é a Colombia, que tem uma boa geração, liderada por Falcao. Com a lesão do seu líder, o que será do time? Há bons caras. Freddy Guarin, James Rodriguez, Jackson Martinez e a sensação do Sevilla, Carlos Bacca. Boas figuras comandadas pelo ótimo Pekerman, ex-técnico da Argentina. Acho difícil prever como o time se portará, mas ainda deve ser uma potência no duelo contra Grécias e Japão.

Grécia tem sua graça para quem gosta de times bem armados, mas não é um time que mereça maiores atenções. Seu melhor jogador, Mitroglu, teve uma mudança questionável de clube, ao sair do Olympiakos e ir ao Fulham, rebaixado na Premier League. Ainda resistem velhas revelações, como Ninis que sempre foi bom jogador, ou o velho Gekas. Num torneio difícil como a Copa, em que pesam as camisas, a Grécia pode sonhar em passar nesse grupo.

Costa do Marfim é provavelmente a equipe mais forte, se Yaya chegar a Copa saudável. Como ele está em recuperação, isso decidiria o tamanho da potência de sua nação. Drogba ainda faz diferença, e certamente será uma ameaça para equipes frágeis no setor defensivo, como Japão e a própria Colombia. Não irei dizer que Gervinho é craque, mas fez temporada ótima na Roma, e ainda resistem alguns jogadores experientes, como o Boka, lateral esquerdo, Salomon Kalou, e o ótimo atacante do Swansea, Wilfred Bony, ótima opção no banco. Bom time, que surge como favorito no grupo contra a Colombia após cortes. Se, hipoteticamente, Yaya não jogar pelo menos alguns jogos, equilibra o grupo.

O Japão evoluiu, mas segue sendo um time frágil, mesmo com bons nomes. Joga ofensivamente, o que o torna um fan-favorite. Faz partidas divertidas. Geralmente treme enfrentando gigantes, apesar do ótimo momento contra a Itália no Brasil em 2013, num 4-3 clássico. Agora, quando seu auge é uma derrota… Kagawa do United puxa o time dos melhores japoneses, lotados de caras que atuam na Bundesliga. Há ainda o bom Nagatomo, lateral da Inter, que joga de todos os lados, mas marca medianamente. Acho pouco, embora o grupo seja o ideal para tentar voltar as oitavas após 12 anos.

Passarão: Costa do Marfim e Colombia
Gostaria que passassem: Costa do Marfim e Colombia

Grupo D

O famigerado grupo é formado três campeões mundiais Uruguai, Itália e Inglaterra. O Uruguai tem dois fenomenos, Luis Suarez e Cavani. Suarez foi um dos melhores jogadores da temporada, em minha opinião, jogou mais que Messi, Neymar ou Ribery. No entanto, há outra vez uma lesão assombrando um time e não se sabe quanto ele jogará. O time muda entre três e dois zagueiros, mas tem Godin em grande forma, Maxi Pereira e Caceres estão em boa fase também. O meio é o problema, embora Stuani brigue para tomar o espaço de Forlan.

Costa Rica é um time fraco, desinteressante, que baseava seu futebol na técnica de Bryan Ruiz e o talento de Campbell, um cara velocista e que poderia fazer gols em roubadas de bola. Poderia – Campbell não jogará a Copa, lesionado. Nesse grupo, fazer gols e roubar um empate será bom.

Inglaterra chega sem muita força da imprensa, mas numa fase curiosa. Seu time se baseia no bom Liverpool, com Henderson, Sturridge, Sterling, Johnson.. E claro Gerrard, que é o líder do time. Somados a Rooney, e outros bons nomes, como Danny Welbeck do United e Leighton Baines do Everton, é um time mais forte do que se diz. Mas o grupo é difícil.

Itália tenta reinventar seu futebol com seu técnico, mesmo sem vencer qualquer título, seu estilo de jogo, mais ofensivo, cativou os italianos. Mas não há grandes revelações, fora Balotelli, já mais maduro e líder, junto do Pirlo, fenômeno eterno, mas velho demais. Abriu mão de figuras interessantes por lesões, e apostou em velhas flâmulas como cassano, mais maduro que em outros torneios. Deve jogar com três zagueiros, para aproveitar Maggio na ala, ou desperdiçará um caminho de ataque. Entre velhos e jovens, essa Itália que quer atacar, visando menos a defesa, pode ser uma surpresa, mas não parece um time confiável.

Passarão: Itália e Inglaterra
Gostaria que passassem: Inglaterra e Uruguai

Grupo E

Grupo fraco, tem como cabeça a Suiça; A fama injusta que carrega a Suiça, cujo técnico é um dos alemães mais vencedores do futebol, é a de ser retranqueira. Não condiz com a verdade se olharmos os números em jogos eliminatórios, e mesmo contra o Brasil, quando venceram por 1-0, mesmo depois do título da Copa das Confederações. O craque é Shaqiri, reserva no Bayern, mas um meia que joga pelos lados, corta para dentro, finaliza excepcionalmente. Seferovic deve jogar de referência, embora seja mais ponta, mas é ótimo jogador também. Somado a tradicional consistência, difícil vê-los fora das oitavas.

França chega arrasada com essa notícia do corte de Ribery. A priori, jogaria com um trio de Pogba, Matuidi e Cabaye formando o meio. E Ribery e Valbuena abertos, para Benzema. Sem sua grande presença na imagem de Ribery, craque e já estaria na terceira Copa, com direito a final, o time fica meio perdido. Pode usar Remy, mas cai demais o nível. Se não tivesse a briga com Nasri, seria obvio que jogaria. Benzema pode atuar junto de Giroud, mas mudaria o jeito do time. Diante das mudanças, difícil saber como vão reagir, mas tem muito talento.

Equador tem feito boas campanhas e jogos curiosos na preparação, mas não há muitas referências, tirando o bom Valencia. O time é forte em marcação e aposta na bola parada e cruzamentos do Valencia, que é um Beckham piorado. Figuras como Caicedo seguem jogando no ataque. O bom Noboa, volante de saída de bola, também é uma arma. Agora, o time tem como titular na zaga o Erazo, que fez dois jogos no Flamengo e sumiu. Um cara que é reserva do Chicão, só pode significar gol para quem o enfrenta.

Honduras é fraco, e mesmo seus destaques seguem sendo coadjuvantes como Palacios e Figueroa. É um time violento, tosco, que buscará empates. Ou seja: poderá ser divertido para quem vê, mas péssimo adversário para os times mais fortes. Será uma boa surpresa caso consiga algum resultado.

Passarão: Suiça e França
Gostaria que passassem: França e Suiça

Grupo F

Um grupo arredondado para a Argentina. O time de Messi, Aguero e Di Maria tem craques de sobra. O meia do Real foi o melhor jogador da final da Champions, e o melhor argentino na temporada, algo novo em sua carreira. Messi é uma incógnita, depois de um ano estranho, com lesões, mas chega bem fisicamente. E se decidir jogar no melhor de sua forma, tem tudo para levar a Argentina a final. Higuain, Lavezzi, Maschdrano – sobram ótimos nomes. Zabaleta é ótimo lateral, os zagueiros são menos deficientes do que se diz – Federico Fernandez coloca Henrique na lateral do Napoli. Romero terá de se provar bom o suficiente, no velho problema dos argentinos.

Bósnia e Herzegovina é emergente na Europa há algumas temporadas. Perdeu nas repescagens para Cristiano Ronaldo na Copa e na Euro, e dominou o grupo das eliminatórias, onde a segunda equipe foi a Grécia. Dzeko é brilhante homem de área, com técnica e édecisivo. Pjanic fez ótima temporada, bate faltas brilhantemente, e atua junto com meias mais avançados, como Mizimovic, que arma ao estilo antigo, e um ponta, que pode varia entrer Zahiovic e Lulic.A Bósnia enfrentou amistosos sérios, contra Costa do Marfim e México, vencendo ambos. Pesa para eles a estreia, e falta de camisa, mas é um bom time.

Irã será coadjuvante, e briga pra tentar se aproveitar dos deslizes dos outros. Não é um time tão ruim quanto dizem, basta procurar os resultados. Quem perder pontos, podeficar pra trás entre Nigéria e Bósnia.

A Nigéria já não é um time tão interessante como na época de Nwakwo Kanu e o grande Jay Jay, o Okocha. Há boas peças, como o Musa, que joga na ponta pela esquerda, e o Victor Moses, agora no Liverpool sem muito sucesso, ficando no banco. O melhor jogador é o Enyeama,que pegou demais na última Copa e bateu recordes nessa tempórada pelo Lille na Ligue 1. A Nigéria briga contra a falta de camisa da Bósnia, mas creio que perderá.

Passarão: Argentina e Bósnia e Herzegovina
Gostaria que passassem: Argentina e Bósnia e Herzegovina

Grupo G

Um grupo duro, de equipes experientes, rodadas. A Alemanha lidera, sem dúvida, no que diz respeito a ambição. Mesmo com a ausência de Marco Reus, um dos mais talentosos meias do time, e a lesão de Khedira, que vai voltando aos poucos, mas deve voar na Copa, o time é bom, consistente, cheio de talento. O curioso é que os alemães discordam um pouco, por essa geração de Schweinsteiger e cia serem famosos por irem bem mas não vencerem. O time deve jogar com uma dupla ágil de meio, possivelmente com Toni Kroos, e aí Muller e Ozil junto com Klose. Goetze briga para jogar também, e Klose pode vir do banco como alternativa, deixando o meia como falso-nove. Apesar de tantas contusões, de Neuer estar ameaçado, dos irmãos Bender, e tudo mais, o time segue forte coletivamente, puro talento.

A equipe ganesa há anos é a mais bem montada da África. Se o talento individual é menor do que em outros tempos, eles ainda possuem uma defesa e um sistema forte de marcação no ataque, usando a velocidade de André Ayew no ataque, pelos lados. Essien e Muntari, volantes do Milan, já estão em momentos medianos da carreira, mas sua experiência pode render. Boateng faz a ligação, num misto de habilidade e força, Difícil dizer como se portará no grupo, pelo equilíbrio.

Portugal constrói a equipe toda num método de equilibrio, conduzindo o jogo para que Cristiano Ronaldo decida. Quanto mais atacado, mais perigoso o time fica, com Moutinho, Raul Meirelles,e Miguel Velosto, todos servindo, com bom passe, o melhor do mundo em 2013;14. Se tiver de armar, terá mais dificuldades, pois há menos conjunto ofensivo, com Postiga e Hugo Akmeida brigando por uma vaga de centro-avante, Nani sempre uma decepção, e o Varela como possível alternativa. A defesa é média, mas quando fechada protege-se bem. Acredito que se Cristiano estiver em plena forma, Portugal pode lutar até pela ponta do grupo.

EUA chega com o trabalho de Klinsmann intrigando seus torcedores. E com muitos jogadores jovens, presentes na MLS. A melhora da MLS enriquece a evolução dos jogadores, mas não garante que estão prontos para adversários tão duros. Howard, o goleiro, é ótimo, assim como Michael Bradley é um dos melhores volantes de chegada Altidore teve um semestre interessante no Sunderland, e Clint Dempsey segue um jogador perigoso, mesmo numa fase questionável. É um bom time, ma nada excepcional – nesse grupo, será difícil conseguir triunfar.

Passarão: Alemanha e Portugal
Gostaria que passassem: Portugal e Alemanha

Grupo H

O time sensação da Copa, a Bélgica é apontada para ser a surpresa que poderia brigar por algo maior, como uma semi. Não sei se a falta de experiência permite, mas é um time forte, muito talentoso, com figuras como Witsel, Fellaini, Chadli, Dembelé, Mertens, De Bruyne, e os melhores na frente, Hazard, o habilidoso atacante do Chelsea, Lukaku, homem de área do Everton. Na defesa, sobra talento também, com Kompany, Vertonghen, Vermaelen… Courtois e Mignolet são duas opções boas para o gol. O conjunto foi bem quando precisou se classificar, mas inconstante em amistosos. A pressão será grande. Creio que a primeira fase não será adversário, mas um eventual cruzamento duro virá nas oitavas.

Argélia será coadjuvante, tentará roubar pontos, mas não parece uma equipe muito forte. Sei pouco sobre o time, além da Copa passada, e dos jogadores mais famosos, como Yebda da Udinese, ótimo volante, e principalmente Feghouli, que brilhou nessa temporada pelo Valencia.

A Rússia de Fabio Capello é um bom time, duro para qualquer adversário. A base é a mesma da época de Hiddink, quando a Rússia que ressurgiu como equipe. Dzagoev e Bystrov são os mais habilidosos, e há muitos bons jogadores, como Zhyrkov, que joga na linha do meio agora. Liderados por um mestre da defesa, será difícil adversário paa a Bélgica, mas terá de provar que consegue se virar quando for o time mais forte.

A Coréia do Sul brigará por uma vaga nas oitavas, com sua geração nova, como Koo Ja-Seol, bom jogador de meio, e tem uma boa consciência tática. Claro, o talento é limitado, apostar em ótima campanha parece um pouco de ousadia. Son, ótimo atacante do Leverkusen, é o principal homem de frente, e pde forma uma dupla interessante do Koo Ja-seol.

Passarão: Bélgica e Rússia
Gostaria que passassem: Bélgica e Rússia

A tensão de três minutos

Comemoração, após um título que não queria ser.

Todos sabem do script maluco que se deu na decisão do Campeonato Inglês. Em jogos paralelos, empatados em pontos, City e United, as forças da industrial Manchester, lutavam por vitórias que lhe dariam o título. Por méritos próprios, conquistados com vitórias expressivas contra o United, o City tinha vantagem no empate. O United saiu para enfrentar o bom Sunderland, time que já foi outrora comentado em texto. O City recebia o desesperado Queens Park Rangers, que fugia do rebaixamento apesar de ter investido um bom dinheiro em jogadores nesta temporada. A vantagem era evidente, então, para o City. O time tinha apenas que vencer, em casa, um time mais fraco.

Pois foi o United que, se não passeou, teve o jogo desde o início bem sob controle. Rooney, em grande temporada, aparecia, como sempre, como o homem decisivo, fazendo o 1 a 0 e dando a vitória ao time ainda no primeiro tempo. O Sunderland, bravo, também não desistia e fazia sua parte, mesmo que não tivesse nada a ganhar na temporada.

Na fria Manchester, o City também fez 1-0. Passe dele: o mortal, o surpreendente, o grande Yaya Touré. Autor dos gols decisivos nos derbys que levaram o City a ter esta importante vantagem, alternando posições entre volante e meia, Touré foi o homem de confiança do City na temporada. O gol veio de Zabaleta, com ajuda do goleiro do QPR. Dos dois lados, tudo encaminhado, já no primeiro tempo.

No nordeste da Inglaterra, o United voltou para o segundo tempo sabendo que, com aqueles resultados, o titulo não vinha. Mas queria gols, garantir a sua honra. Como o time cascudo de sempre, jogou sério. O Sunderland, por sua vez, não foi nem um pouco menos corajoso, e também saiu pra cima do United. Na hora H, afinal, todos querem garantir o seu pedaço na história.

Foi então que Lescott, o bom zagueiro do City, cometeu o primeiro erro grave de sua temporada. Espirrou para trás de cabeça a bola, colocando Cissé, aquele mesmo, na cara de Hart. Havia aí um empate, e o título mudava subitamente de mãos.

Festa do United. Animado, o time continuava de forma aberta, em busca de mais gols que lhe garantissem de vez uma vitória incontestável. Não poderiam sequer aceitar a ideia de perder o título porque, por culpa própria, empataram com o Sunderland. E, como sabemos, não foi por causa disso que perderam mesmo.

No City of Manchester, o City se complicava ainda mais. Mesmo com a expulsão de Joey Barton, o trombadinha da Premier League que todos curtem, o QPR voltou a conseguir algo absolutamente improvável. Sem acreditar no que estava acontecendo, a defesa desmontada, aberta, assustada do City, aceitou uma virada surreal.

O United tampouco conseguia acreditar. A torcida chorava. Um milagre lhes permitia, com sobras, acreditar realmente que o título enfim não seria dos rivais. Naquele momento, tudo que os torcedores orgulhosos não queriam era admitir que o City, novamente, mostrava-se tão grande quanto eles.

O City, por sua vez, não via alternativas, parecia pronto para jogar a toalha. Seu arsenal de ataque foi posto no jogo, mas não fazia gols. Yaya, o grande, havia se machucado. Não estava lá para salvar o dia. Choravam, agora de dor, dirigentes, jogadores, torcedores.

Para piorar, o United confirmava de vez a vitória. Naquele momento, torcedores comemoravam o título, que apenas um milagre desses raramente, muito raramente vistos, tiraria. Mas, como todos sabem, o milagre aconteceu.

Há quem diga que, no final do jogo do United, torcedores deixaram o City of Manchester, mas teimo em acreditar. Até porque, no instante do apito do jogo no norte, Edin Dzeko empatou o jogo no nordeste. Depois de uma série de cruzamentos, lances muitos perigosos, jogadas improváveis do QPR. Mas Dzeko foi decisivo, mudou a história. Cabeceou como sempre cabeceava, e brilhou como nunca havia brilhado. Começavam os minutos de tensão.

Aqueles torcedores que até então choravam, arrancavam os cabelos, pensavam em deixar o estádio, passaram a crer em alguma chance. Clichy tomou vaias porque demorou a se levantar depois de levar uma rasteira. Os nervos haviam saído do crânio há muito tempo. O empate saíra aos 91. E aos 93, no desespero, a bola chegou aos pés de Mario Balotelli.

Balotelli, o talentoso, polêmico e indisciplinado jogador, até então barrado, provavelmente em campo apenas porque um título é maior que qualquer diferença interna, conduziu, dividiu, escorregou e, mesmo caído, fez um passe. Aguero, provavelmente o melhor jogador da temporada do time, o mais regular dos grandes jogadores, recebeu e cortou um zagueiro. Mas, no ponto em que todos pensaram que chutaria, foi calçado de leve por outro, que tentava pará-lo do jeito que dava.

Só que, novamente como todos sabem, não havia jeito de pará-lo. Aguero se equilibrou, deu mais um corte, e… PAU.

A tensão estufava as redes. City 3-2 no QPR. Aos 94. Uma virada conquistada enquanto os jogadores do United, tranquilos, esperavam a comemoração. Uma virada celebrada por todos, jogadores que entraram e saíram do elenco, como Balotelli e o marrento Tevez, jogadores históricos do time, como Micah Richards, hoje reserva na lateral-direita. Todos. Os torcedores, depois de quase quarenta anos, invadiram o campo com todo o fervor. Como numa festa que só eles poderiam fazer, e só a eles cabia comemorar.

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Invadem os campos do Reading e do City, os campeões da Championship e da Premier League.