Explicando o “inexplicável”

Depois dos jogos contra Olimpia e Emelec, Joel Santana disse que os resultados obtidos pelo Flamengo eram inexplicáveis, já que o time vencia o primeiro por 3 a 0 e permitiu que o time paraguaio empatasse, e além disso perdeu o jogo para o segundo de virada. Mas, para a infelicidade do Joel, não só os dois resultados são perfeitamente explicáveis, como também toda a inacreditável campanha do Flamengo nessa fase da Libertadores.

Começando pelo jogo contra o Lanús, fora de casa, o primeiro do time na Libertadores. Lembro-me da postura em campo do Flamengo. O time rubro-negro simplesmente resolveu não jogar. Abdicou do futebol e resolveu se defender como time pequeno e partia para o ataque, quando partia, por meio de ligação direta. Nenhuma jogada pelo meio era criada. O empate acabou sendo um resultado positivo pelo que o Flamengo apresentou em campo. O Lanús, que atualmente é líder do grupo 2, também jogou um futebol pavoroso, mas, pelo menos, parecia querer vencer a partida, diferente do adversário, que ficou feliz com o empate.

No segundo jogo, o Flamengo enfrentou o Emelec em casa e teve dificuldades em vencer o jogo. Apesar dos desfalques (Felipe, Aírton, Renato e Willians não puderam jogar por conta de contusões), o Flamengo jogou em vantagem todo o segundo tempo por conta da expulsão de um jogador do Emelec e, mesmo assim, teve dificuldades em se impor.

Os jogos seguintes, contra o Olímpia, já são um clássico da incompetência rubro-negra, e foram comentados anteriormente. Se, no primeiro jogo, o Flamengo resolveu recuar e dar espaços pro Olímpia, o que acabou possibilitando a recuperação do time paraguaio, no segundo o Olímpia se aproveitou da desorganização do adversário e abusou dos contra-ataques pra vencer o jogo.

O jogo de volta entre Flamengo e Emelec mostra como o time rubro-negro se acovardou no campeonato. No primeiro tempo, o Flamengo, apesar do nervosismo, até jogou bem, com Bottinelli, Ronaldinho e Deivid aparecendo bastante e criando jogadas que levaram perigo ao gol adversário, mas não chegou a ser superior ao Emelec.

Recordemos o jogo. O Flamengo abriu o placar logo no início com o Léo Moura. O time se acalmou, mas não conseguiu dominar o adversário. O Emelec levava perigo ao Flamengo, principalmente nas jogadas aéreas. E foi em uma jogada aérea, mais uma entre tantas falhas de marcação da defesa rubro-negra, que o Emelec conseguiu o empate. O jogo continuava equilibrado, mas aos 42 minutos o Flamengo conseguiu desempatar com um belo gol de cabeça do Deivid, depois de jogada trabalhada pela esquerda por Júnior César e Ronaldinho.

Em vantagem no placar, esperava-se que o Flamengo voltasse a campo mais tranquilo, mas não foi isso que aconteceu. O time aceitou passivamente a pressão exercida pelo Emelec no segundo tempo, pressão baseada muito mais na vontade que na qualidade técnica e tática da equipe equatoriana. O Emelec avançou a marcação, passou a pressionar o Flamengo em seu campo de defesa, abusou do jogo aéreo, levando perigo à defesa mambembe do Flamengo.

Aliás, o Joel Santana, que é conhecido por arrumar a defesa e armar boas retrancas dos seus times, ainda não conseguiu encontrar o melhor esquema pra zaga rubro-negra. E em seu desespero pra sair com o resultado favorável do Equador, desarmou o esquema com dois zagueiros e resolveu experimentar um esquema com três, esquema que ainda não havia sido testado em nenhum jogo. Ao tirar Deivid e colocar Gustavo, aquilo que já era ruim, piorou.

Mas a cereja do bolo foi a retirada de um meia ofensivo, Bottinelli, para a entrada de um lateral esquerdo, Magal. Com um esquema tático nonsense, ficou claro que o empate do Emelec era questão de tempo. E de cabeça, novamente, o Emelec empatava com um gol de Figueroa. E para varrer o salão, Williams cometeu um pênalti infantil, convertido por Gaibor, e deu a vitória ao time da casa.

Alguém poderia retrucar e dizer que estou exagerando, que o Flamengo está bem no campeonato carioca, é líder do seu grupo e que já está classificado blá blá blá. Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo podem se dar o luxo de serem mambembes no campeonato carioca, até porque os adversários os respeitam, os temem ou alguma coisa do gênero. Os times pequenos e médios do Rio almejam, no máximo, conquistar um turno e participar de uma final estadual. Mas campeonato carioca não é Libertadores e não avisaram isso lá na Gávea. Os times sul-americanos não se amedrontam com nome, acreditam na vitória o tempo todo e partem pra cima do adversário.

Evidente que essa não é a única causa da campanha ruim do Flamengo na Libertadores, mas a forma como a Libertadores é tratada é algo inacreditável. Além da falta de padrão tático da equipe e de uma defesa muito fraca, o time parece que não tem vontade de ganhar. E, pro torcedor, isso é o pior que pode acontecer.

Aos torcedores, resta acreditar no improvável e ter a vontade que parece que falta aos jogadores, deixando que o inexplicável continue agindo nos destinos do Flamengo.

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Flamengo e Olimpia em quatro atos

1º Ato: Passagem do caos à ordem.

O objetivo de toda narrativa religiosa, e o futebol, para muitos, é quase uma religião, é organizar o caos, ordenar a realidade em que se vive. E a realidade do Flamengo para primeiro jogo contra o Olímpia não era das mais animadoras. Cheia de desfalques, a equipe rubro-negra entrou em campo com jogadores muito novos e com pouquíssima experiência em Libertadores para enfrentar o adversário mais importante do grupo, já que não havia alternativa. Em meio a esse caos, o Flamengo precisava se organizar para enfrentar o Olimpia. Essa passagem do caos até a ordem durou aproximadamente 30 minutos. Enquanto o Flamengo não conseguia se encontrar em campo, já que o meio de campo, formado por Luiz Antônio, Muralha, Thomas e Bottinelli, ainda não se encaixava, o Olímpia tratou de pressionar o Flamengo, levando muito perigo com Orteman e Maxi Biancucchi.

Enquanto o Flamego não se organizava, Bottinelli e Vagner Love eram os únicos que tentavam alguma coisa. E foi com eles que o Flamengo fez o seu primeiro gol. Depois de uma bela jogada de Vagner Love, Bottinelli recebe na grande área e toca por cima do goleiro Martin Silva. O gol tranquiliza o time e agita a torcida do Flamengo. No final do primeiro tempo, o Flamengo já era melhor que o Olímpia..

2º Ato: Apogeu e queda rubro-negra

Com o time organizado, o Flamengo voltou para o segundo tempo com uma outra disposição, anulando completamente o jogo do Olímpia. Além do meio de campo marcar bem, o Ronaldinho Gaúcho resolveu que era dia de jogar futebol e durante 30 minutos o Flamengo jogou o que não jogava desde setembro, outubro de 2011. Com 18 minutos do segundo tempo, o Flamengo já vencia por 3 a 0 e mantinha o controle do jogo. Mas arrogância e prepotência costumam ser motivos de castigo em algumas narrativas religiosas.

O Flamengo acreditou que o jogo já estava ganho e se descuidou da marcação que vinha fazendo até então, dando espaço pro time do Olímpia se aproximar da área rubro-negra. E aos 31 minutos, depois de Muralha fazer falta, Zeballos, cobrando a falta que recebera, marca o primeiro gol do Olimpia. Joel Santana acreditou que, após o gol feito pelo Olímpia, o adversário sairia mais pro ataque e abriria espaços em sua defesa. Por conta disso, tirou o Thomas, que estava bem no segundo tempo, e colocou o Negueba pra aproveitar os possíveis contra-ataques. Joel só deixou de perceber que a equipe já não roubava bolas da mesma forma como começou o segundo tempo. O Olímpia se aproveitou disso, e empatou o jogo com gols de Caballero e Marin. A festa que se desenhava aos 30 minutos do segundo tempo se transformou em pesadelo, castigando um time que não manteve a atenção durante o segundo tempo.

Entreato

Depois de um resultado absolutamente inesperado, os fantasmas do passado voltaram a atormentar a equipe rubro-negra. Apesar do resultado não ter explicação aparente, os meios de comunicação resolveram dizer, ainda assim, que era uma vergonha, um vexame, que falta vontade ao time do Flamengo e que era só recorrer ao passado recente do time na Taça Libertadores que já saberíamos que esse Flamengo é assim.

Com a torcida insatisfeita com o resultado, exatamente por conta desse passado recente não muito glorioso, o time acreditou que criar um clima de guerra ajudaria a superar o Olímpia fora de casa, que a força de vontade era suficiente para vencer uma batalha em pleno Defensores del Chaco. Mas mais importante que chamar às armas, é saber com quais armas o Flamengo enfrentaria a batalha.

3º Ato: A Blitzkrieg paraguaia

O que se espera de um time que diz que vai pra guerra é que ele, pelo menos, conheça a forma como seu adversário joga pra poder fazer frente. Já que o Flamengo não aprendeu nada com os 15 minutos finais do jogo passado, esperava-se que o comandante rubro-negro tivesse assistido a algum jogo do Olímpia pra ver esquema tático, disposição dos jogadores em campo, essas coisas que parecem importantes pra qualquer um que goste de futebol. Mas parece que não foi isso que aconteceu.

O Olímpia se portou contra o Flamengo da mesma forma que se portou contra o Libertad. Aos 6 minutos de jogo, marcou o primeiro gol, feito pelo volante Orteman, depois de uma falta desnecessária feita pelo David Braz na lateral do campo, e passou a se defender, já que não havia necessidade de se expor e poderia explorar o contra-ataque, aproveitando-se dos – muitos – erros do adversário. O Flamengo, visivelmente nervoso e desorganizado, não conseguia penetrar na defesa paraguaia. Além de fazer uma marcação rígida, o time paraguaio fechava bem os espaços de sua defesa, dificultando a armação de jogadas do meio de campo rubro-negro. O jovem Muralha, que sentiu o clima criado em torno do jogo, não fez uma boa partida, Ronaldinho, muito bem marcado, não conseguia encontrar espaço pra jogar, Willians e Bottinelli simplesmente erravam tudo que tentavam. Só Luiz Antônio conseguia fazer alguma coisa no meio de campo do Flamengo, mas não era suficiente. Além de quase não levar perigo, o Flamengo ainda sofria quando o Olímpia partia para o contragolpe, sempre com Orteman, Marin, Caballero e Zeballos. Os paraguaios tiveram, pelo menos, mais duas chances reais de gol, que poderiam garantir a tranquilidade no segundo tempo.

 4º Ato: Paraíso franjeado e inferno rubro-negro

O Flamengo resolveu partir pro ataque no segundo tempo e acabou abrindo o placar, empatando o jogo com o gol de Vagner Love, depois de um belo passe de Ronaldinho. Mas a alegria rubro-negra dura pouco, porque a defesa do Flamengo insistia em falhar. Em um ataque pela esquerda, a defesa rubro-negra não consegue afastar a bola da área, e Zeballos chuta duas vezes até marcar o gol de desempate. E a configuração do primeiro tempo acabou se repetindo. Flamengo com dificuldade em penetrar na defesa adversária e o Olimpia  saindo no contra-ataque para ampliar o placar. E dessa forma, Marin faz o terceiro gol, depois de uma bela jogada. Com isso, a equipe paraguaia se fechou ainda mais, dificultando a vida do Flamengo.

Na base da vontade, o Flamengo fez o segundo gol, mas foi pouco. Pra quem se dizia preparado pra guerra, não se pode contar apenas com a vontade. Era preciso muito mais que isso pra ganhar o jogo, na verdade, precisava saber jogar futebol, querer jogar futebol, saber que campeonato está disputando etc. O que encontramos, na verdade, é um time sem rumo, que não sabe muito o que fazer, mas que tem que entrar em campo. Um time sem alma, e que por conta disso, vive um inferno nessa temporada.

 Epílogo

O confronto que decidiria o líder da rodada, decidiu que o Olímpia só depende de si para ser o primeiro do grupo e que o Flamengo, se tem alguma pretensão de se classificar, dependerá do Olímpia para passar a fase seguinte.

Considerações sobre Libertad x Olimpia

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O torcedor brasileiro costuma ignorar qualquer time sul-americano que não seja  argentino. É comum também ver o torcedor berrar dizendo que vai atropelar esse tipo de adversário sem dó nem piedade. Tão comum quanto esse tipo de bravata é a surpresa que os torcedores têm quando o seu time não consegue vencer um time do Equador, do Paraguai, do Chile. Nessa rodada da Taça Libertadores, Flamengo e Vasco enfrentarão 2 times paraguaios: Olímpia e Libertad. E a história nos mostra que não devemos subestimá-los. O Olímpia é só tricampeão da Libertadores e bicampeão da Recopa  Sul-Americana, enquanto o Libertad, em sua história recente, eliminou na temporada passada tanto o Fluminense pela Libertadores quanto o São Paulo pela Copa Sul-Americana e é o atual líder do seu grupo nesta Taça Libertadores. O que Vasco e Flamengo devem esperar desses dois times em seus jogos pelo torneio continental?

Na última sexta-feira, Libertad e Olímpia se enfrentaram pela sexta rodada do Torneio Apertura. Era o confronto entre o segundo colocado, Olímpia, e o terceiro colocado, Libertad, que não perdia para o Olímpia desde 2009. Nesse confronto, cada tempo do jogo teve uma história diferente. Falaremos disso agora:

Primeiro tempo: Olímpia

O Libertad, que por estar jogando em casa tomou a iniciativa do jogo, sofreu um duro golpe logo aos 5 minutos de jogo, quando Marin roubou a bola no meio de campo, tocou a bola para Órteman, que avançou pela defesa do Libertad e passou para Luiz Caballero, livre pela direita, chutar cruzado marcando o gol do Olimpia. O Libertad acusou o golpe depois disso e não conseguiu jogar direito. Aproveitando-se da desorganização do Libertad, o Olímpia tomou conta do jogo. Aranda e Órteman fecharam bem os espaços no meio, impedindo o avanço do Libertad. O Olímpia variava as ações de ataque, ou com lançamentos para aproveitar a velocidade tanto de Luiz Caballero quanto do Maxi “primo do Messi” Biancucchi – contando também com a lentidão dos zagueiros do Libertad – nos contra-ataques ou entrando na área tocando a bola pela esquerda com o Marin, que levava sempre muito perigo com seus cruzamentos. O Libertad pouco ameaçou e, quando chegava ao ataque, chutava sem levar muito perigo ao gol adversário. Os destaques do primeiro tempo pelo Olímpia foram o Órteman, Caballero e o Maxi, que se movimentou bastante em frente da área e levou bastante perigo ao gol adversário, chegando a colocar uma bola na trave.

Segundo tempo: Libertad

Depois de um primeiro ruim, o Libertad mudou sua postura para o segundo tempo,  adiantando a marcação e pressionando o Olímpia em seu campo de defesa. Caballero e Maxi, que foram importantes no primeiro tempo, quase não apareceram no segundo tamanha a pressão exercida pelo Libertad. O meio, que estava errando tudo no primeiro tempo, passou a não errar. Cáceres, que passou a desarmar até a sombra dos adversários, e Aquino passaram a jogar bem, Samúdio, que é lateral esquerdo, se aproximou de Civelli e Menéndez, e o Libertad aproveitou para atacar pelo lado esquerdo. Menéndez passou a levar muito perigo, chegando a perder um gol inacreditável. Depois dos 20 minutos, as coisas pioraram para o Olímpia, que teve Ariosa expulso. O jogo se tornou um exercício de ataque contra defesa, com o goleiro Silva, do Olímpia, se tornando o destaque do jogo. Com 30 minutos, o Olímpia teve o segundo jogador expulso, Fabio Caballero, por uma entrada dura e o jogo ganhou contornos dramáticos. Com 9 jogadores em campo, o Olímpia tratou de se defender com todas as forças e tentar fazer um gol em um contra-ataque por meio de ligação direta. O Libertad pressionou até o fim, mas não conseguiu converter. Os destaques do Libertad no segundo tempo foram Menéndez, Civelli e, enquanto esteve em campo, Samúdio. No lado do Olímpia, o grande destaque foi o goleiro Martin Silva, que impediu que o Libertad marcasse.

Conclusão

Tanto o Libertad quanto o Olímpia jogam no 4-4-2 clássico, em que os volantes, Aranda e Órteman, no Olímpia, e Cáceres e Aquino, no Libertad, desarmam muito bem. O Órteman, além de desarmar bem, toca bem a bola e faz a ligação entre o meio e o ataque, que é bastante rápido com Caballero e Biancucchi. No caso do Libertad, o destaque fica pro lado esquerdo com Samúdio, Civelli e Menéndez, que costuma levar bastante perigo para a defesa adversária.

Agora é esperar que os clubes brasileiros não sejam tomados pela arrogância característica de seus torcedores e conheçam seus adversários. Libertad e Olimpias são adversários complicados, mas não impossíveis de serem vencidos.

Quem tem medo de La U?

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Campeão chileno tanto do Apertura quanto do Clausura em 2011, campeão da Copa Sul-Americana de forma invicta, vencendo 10 dos 12 jogos disputados na competição e eliminando equipes tradicionais como Flamengo, Vasco e Nacional, a Universidad de Chile marcou 21 gols e sofreu apenas dois. Mais impressionante que o retrospecto, só o futebol praticado por La U. Um time que possuía uma defesa consistente, que trabalhava muito bem a bola e partia pro ataque com velocidade, puxado principalmente pelo atacante Vargas, que foi o artilheiro e melhor jogador da Sul-americana de 2011. O ano perfeito que La U teve em 2011 tornou a equipe favorita ao título da Copa Libertadores de 2012. Mas, mais que favorito, seria a Universidad de Chile o time a ser batido nesse torneio?

La U sofreu perdas importantes para a temporada 2012, como a transferência de Vargas para o Napoli e do zagueiro Marcos González para o Flamengo, mas segurou jogadores fundamentais como os meias Matias Rodriguez e Aránguiz, o que manteve o bom toque de bola do meio de campo. Ao que parece, as perdas não influenciaram tanto a equipe no Apertura 2012, já que a equipe se reorganizou e já está em segundo lugar por conta dos critérios de desempate. Mas afetaria o time na Copa Libertadores, muito mais difícil e disputada que o campeonato chileno?

La U faz parte do Grupo 8, que é composto por Peñarol, Nacional de Medellín e o Godoy Cruz, da Argentina, e o grupo está longe de ser fácil. O grupo entrou terça-feira em sua terceira rodada e La U já havia perdido um jogo pro Nacional e vencido o Godoy Cruz em casa pelo singelo placar de 5 x 1. O jogo contra o Peñarol não nos daria uma resposta definitiva sobre o caso La U na Libertadores, mas nos apontaria para uma direção de como esse time se encontra na competição.

Durante os primeiros 20 minutos, o tradicional Peñarol, que não vai bem no torneio – antes desse jogo, duas derrotas em duas partidas -, jogando dentro de casa, pressionou La U, metendo bola na trave, aproximando-se da área adversária com facilidade, explorando bem as laterais do campo, e chegou ao gol de forma merecida. Pressionada, La U não conseguia tocar a bola e assim tampouco impor a sua forma de jogar. Mas depois do gol, a equipe uruguaia resolveu recuar e aí, amigo, as coisas mudaram de figura. Não, La U não é o Barcelona sul-americano. Na verdade, o futebol da La U está longe de ser parecido com o do Barcelona, mas a forma como time chileno trabalha a bola é impressionante. A facilidade com que o time chileno sai do campo de defesa e chega ao ataque só tocando a bola, sem recorrer à famosa ligação direta é fantástica. E com esse domínio de campo, La U conseguiu o empate com um golaço de Junior Fernandes.

No segundo tempo, La U manteve o domínio do jogo até a metade do segundo tempo, quando o Peñarol, por conta de sua situação no grupo, teve que jogar no desespero. O Peñarol até conseguiu levar algum perigo pra La U, mas não demonstrou força pra superar a equipe chilena. La U conseguiu impor sua forma de jogar fora de casa e, a não ser nos minutos iniciais do primeiro tempo, esteve mais perto de vencer o jogo de ontem. O jogo terminou empatado em 1 a 1 e, com o ponto conseguido fora de casa, a equipe chilena está em segundo lugar no grupo, com quatro pontos, atrás do Nacional de Medellín. No returno, La U terá dois jogos em casa, o que deverá ajudar o time a conquistar a vaga pra fase seguinte sem dificuldades.

Dito isso, o que posso afirmar é que La U continua jogando um bom futebol, mas não é o mesmo futebol avassalador apresentado no final da temporada passada. Hoje, La U continua sendo uma equipe perigosa, mas não é tão imbatível assim. Mas, de qualquer forma, podem ter certeza que La U vai dar um trabalho danado pra qualquer time que a enfrentar.